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Os últimos anos do século XX foram os mais quentes dos últimos 1400 anos

O final do século XX foi o período mais quente dos últimos 1.400 anos, rompendo a tendência de mais de um milénio de arrefecimento global do planeta, segundo um estudo hoje divulgado na Austrália.
A investigação, publicada na revista “Nature Geoscience”, “mostra que num século se reverteram 1.400 anos de arrefecimento na Terra”

A investigação, na qual participaram 78 cientistas de 24 países, reconstruiu as temperaturas dos últimos dois mil anos através de 511 amostras de árvores, corais, núcleos de gelo, formações rupestres e documentos históricos.

Os resultados mostraram uma tendência de arrefecimento a longo prazo do planeta, que se inverteu no século passado, quando a temperatura média foi de 0,4 graus superior à dos 500 anos anteriores. Entre 1971 e 2000, registaram-se os períodos mais quentes nos últimos 1400 anos.

"A característica mais surpreendente do aumento repentino da temperatura média global no século XX apareceu depois de uma tendência de arrefecimento global que durou mais de um milénio", disse, em comunicado, o autor do estudo, Steven Phipps da Universidade de New South Wales.

A investigação, publicada na revista “Nature Geoscience”, “mostra que num século se reverteram 1.400 anos de arrefecimento na Terra”, que Phipps atribui a ciclos naturais na órbita planetária e a flutuações causadas por erupções vulcânicas e variações da atividade solar.

A reconstrução da temperatura provou que o atual aquecimento ocorre em todo o planeta, ao contrário do Período Quente Medieval (séc. IX-XIV) e da Pequena Idade do Gelo (século XVI-XIX), que afetaram em momentos diferentes os hemisférios norte e sul.

Segundo o autor do estudo, “o hemisfério norte foi mais quente entre os anos 830 e 1000, enquanto a América do Sul e a Austrália só experimentaram este aquecimento nos anos 1160 e 1370”.

A Pequena Idade do Gelo, que ocorreu entre 1550 e 1850 devido a uma fraca atividade solar e de erupções vulcânicas, também teve um impacto irregular no planeta, visto que se registou no Ártico, Europa e Ásia e só depois na América do Norte e no hemisfério sul.

Phipps adiantou que a pesquisa vai contribuir para compreender os motivos das variações climáticas a nível regional e global e ajudar a melhorar as previsões à medida que o planeta enfrenta um maior aquecimento.

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