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“Governo está a preparar nas costas das pessoas uma segunda ofensiva sobre o país”

Este domingo, a coordenadora do Bloco de Esquerda acusou o Governo de estar “a preparar-se, às escondidas das pessoas, para negociar um segundo resgate para Portugal, que vai pôr o país ainda mais nas mãos do sistema financeiro e tirar mais a quem trabalha".
Fotos de Paulete Matos.

Durante uma ação de protesto contra a instalação de um terminal de contentores na Trafaria, que incluiu a pintura de um mural, e que teve lugar no Passeio Ribeirinho da Trafaria, em Almada, a coordenadora do Bloco de Esquerda sublinhou que “não se aceitam as ações insensatas e irresponsáveis deste Governo”, alertando que “as decisões tomadas hoje são decisões que vão ter consequências graves no futuro, e é por isso que é importante travar já este Governo”.

“Se os contentores vierem para a Trafaria e se as alterações aos portos forem feitas sabemos que vamos viver no futuro danos ambientais que vão perdurar por gerações e sabemos também que, do ponto de vista económico, do desenvolvimento do nosso país, vamos estar a ter uma competição entre os nossos portos que vai afundar ainda mais a nossa economia e também vai ter custos de gerações”, adiantou Catarina Martins. “E é por isso que a política tem de ser feita com o debate de todos e tem de ser feita aqui na rua como está a ser feita nesta acção simbólica”, defendeu.

Governo está a preparar nas costas das pessoas uma segunda ofensiva sobre o país

Este domingo, a dirigente bloquista afirmou que, ainda que o Governo esteja “a tentar remendar a sua imagem”, “não há nenhuma mudança nas políticas, pelo contrário, está tudo a ficar pior”.

“Depois de ter falhado em tudo, depois dos cortes que fez nos salários, nas pensões, nos serviços públicos, depois de, com todos esses cortes, só ter piorado a situação do país, ter o défice descontrolado e ter uma dívida cada vez maior, este Governo, que é insensato e irresponsável, está a tentar fazer nas costas uma segunda ofensiva sobre o país e uma segunda ofensiva da austeridade”, acusou ainda a deputada.

Catarina Martins defendeu que as declarações do presidente do Eurogrupo sobre a intenção de dar uma extensão dos prazos das metas para Portugal “só têm apenas uma leitura: significa que falhou tudo, não há nada que tenha batido certo, estamos cada vez mais longe de qualquer das metas que disseram que íamos atingir, e, portanto, que os sacrifícios impostos às pessoas foram todos em nome de nada”.

“Foram 24 mil milhões de euros em sacrifícios, dinheiro tirado às pessoas para se conseguir uma consolidação orçamental de 6 mil milhões. São 17 mil milhões de euros do nosso trabalho, do nosso país, que este Governo queimou pura e simplesmente para agora tudo dar errado, para todas as instituições internacionais reconhecerem que é impossível cumprir os prazos do défice, reconhecerem que é impossível cumprir a dívida”, lamentou a coordenadora do Bloco de Esquerda.

“E em vez de estar agora a perceber que é preciso uma política diferente, que é preciso crescimento económico e não austeridade, que é preciso renegociar a dívida, o que o Governo está a fazer é a preparar-se, às escondidas das pessoas, para negociar um segundo resgate para Portugal, que vai pôr o país ainda mais nas mãos do sistema financeiro e tirar mais a quem trabalha", referiu.

“Não admitimos que esteja a ser preparado um segundo resgate às escondidas”, afirmou a dirigente bloquista, frisando que, por isso, "o Governo tem de ser demitido e tem de haver eleições".

Referindo-se às remodelações no executivo de Pedro Passos Coelho, Catarina Martins frisou que "isto é um Governo sem soluções, que todas as semanas muda, com novos secretários de Estado, mas que na verdade são remendos num edifício que já não se aguenta".

"Não se vê neste Governo a força anímica suficiente para mudar seja o que for em Portugal", afirmou a dirigente bloquista.

Governo quer transformar a Trafaria no “caixote de lixo de Almada e da margem sul”

A deputada do Bloco Mariana Aiveca acusou o Governo de transformar a Trafaria no “caixote de lixo de Almada e da margem sul”.

A deputada bloquista sublinhou ainda que o Bloco “exige que a ministra do Ambiente assuma as suas responsabilidade e nos venha dizer o que pretende fazer com a parede de contentores aqui na Trafaria e como vai fazer depois todo o projecto para transportar as mercadorias para Lisboa”.

“O ministro da Economia diz que este investimento é muito importante como porta de entrada, mas já existe um porto importante, de águas profundas, no distrito de Setúbal e que cumpre exactamente os objectivos que ele diz que quer cumprir aqui na Trafaria”, lembrou a dirigente do Bloco de Esquerda, sublinhando que, por isso mesmo, o Bloco de Esquerda está contra este projeto e quis vir à Trafaria manifestar a sua posição e dizer ao povo da Trafaria que pode contar com o Bloco em defesa da sua terra, já tão estigmatizada e já tão abandonada”.

Mariana Aiveca informou ainda que no dia 30 “o Bloco questionará o Governo sobre que desenvolvimento é este que quer para estas pessoas quando lhes rouba o acesso à saúde, as prestações sociais, quando não aposta aqui num desenvolvimento criador de emprego para que as pessoas saiam da miséria em que se encontram”.

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