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Schäuble: Condições impostas ao Chipre devem servir de modelo para o futuro

Ministro das Finanças alemão defende que as condições impostas ao Chipre como contrapartida da intervenção financeira externa, entre as quais a taxação dos depósitos e consequente confisco das poupanças, devem servir de modelo para o futuro.

Numa entrevista publicada este sábado pelo semanário económico alemão Wirtschaftswoche, o ministro das Finanças Wolfgang Schäuble defende que “a participação dos acionistas, detentores de obrigações subordinadas e, em seguida, dos depositantes não garantidos deve ser a norma quando uma instituição financeira cai numa situação difícil”, pelo que as condições impostas ao Chipre devem servir de modelo para o futuro.

As declarações do ministro das Finanças alemão não são inéditas. Numa entrevista ao Financial Times, Jeroen Dijsselbloem, o ministro das finanças da Holanda que é também o presidente do Eurogrupo, defendeu que, daqui para o futuro, as medidas impostas ao Chipre, como o confisco das poupanças, deveriam ser aplicadas a outros países intervencionados.

O dirigente do partido social democrata da Holanda, o equivalente do Partido Socialista português, foi, contudo, imediatamente desmentido por Benoit Coeure, membro do conselho executivo do Banco Central Europeu, que sublinhou que a situação no Chipre “não é comparável com qualquer outro país da Zona Euro”. Dijsselbloem veio, inclusive, a retratar-se publicamente, defendendo ter sido mal interpretado.

Em entrevista ao jornal alemão Bild, o ministro das Finanças de Angela Merkel também contradisse, na altura, o presidente do Eurogrupo e seu homólogo holandês. Wolfgang Schäuble preferiu não antecipar cenários, dizendo que "os depósitos na Europa estão a salvo" e que "o Chipre é e continuará a ser um caso especial".

Schäuble vem agora afirmar que Dijsselbloem foi criticado injustamente. "E não pela minha parte”, frisou.

O ministro das Finanças alemão assegurou ainda durante a entrevista que Nicósia não receberá mais dinheiro do que os 10 mil milhões de euros acordados, ainda que a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu calculem que as necessidades financeiras do país até ao primeiro trimestre de 2016 ascendem a 23 mil milhões de euros.

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