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Professores de Matemática apresentam queixa ao Provedor de Justiça

A Associação dos Professores de Matemática vai apresentar uma queixa ao Provedor de Justiça e fará “todos os possíveis para apresentar uma providência cautelar” contra o despacho do governo que revoga o programa de Matemática em vigor para o Ensino Básico. Investigadores sublinham “consequências graves” desta revogação”. Bloco acusa governo de “experimentalismo ideológico” e “autoritarismo”.
Foto de Paulete Matos.

“Decidimos que a partir de segunda-feira serão desencadeados os processos para apresentar queixa ao Provedor de Justiça e a possibilidade de apresentar uma providência cautelar”, afirmou Lurdes Figueiral, presidente da Associação dos Professores de Matemática (APM), no final da reunião do Conselho Nacional desta entidade, que teve lugar este sábado, em Lisboa.

Segundo Lurdes Figueiral, a revogação, por parte do Ministério da Educação, do programa de Matemática em vigor para o Ensino Básico, e a sua substituição progressiva por um documento que entra em discussão pública na próxima semana, “é um tremendo erro e um desperdício de investimento de meios económicos e de trabalho desenvolvido pelos professores”.

A presidente da APM sublinhou, em declarações à agência Lusa, que o atual programa de matemática, criado em 2007, quando a pasta da Educação era tutelada por Maria de Lurdes Rodrigues, “se baseia em princípios defendidos pela investigação internacional e tem pontos em comum com países como a Finlândia e Singapura, que têm as notas mais elevadas”. A revogação do programa de matemática representa, para a dirigente associativa, “um retrocesso na aprendizagem dos alunos e é um desrespeito pelo trabalho dos professores”.

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Albino Almeida, também já veio expressar a sua preocupação com a substituição do programa de Matemática, considerando que a mesma “vai ter consequências ao nível da aprendizagem e dos manuais”.

Revogação do programa de matemática terá “consequências graves”

Em comunicado, a Sociedade Portuguesa de Investigação em Educação Matemática (SPIEM) manifesta “profunda preocupação” com a revogação do atual programa de Matemática do Ensino Básico e alerta para as “consequências nefastas” da medida.

Para o SPIEM, a decisão do ministro Nuno Crato é “um problema” que abrange os matemáticos, professores, encarregados de educação, alunos e país em geral, já que os professores vão ser “obrigados a ensinar por objetivos educacionais ultrapassados” e aos jovens vai ser retirada a oportunidade de se “tornarem seres matematicamente pensantes, capazes de resolverem problemas matemáticos, quer na vida quotidiana, quer na vida escolar e profissional futura”.

“Como se explica que Nuno Crato, que tanto apelava, antes de ir para o governo, para a necessidade de se avaliarem os programas educativos, revogue um programa que não só não foi avaliado, como nem sequer teve ainda tempo de perfazer um ciclo completo de escolaridade”, questiona o SPIEM.

Bloco questiona governo sobre revogação do programa de Matemática

O deputado do Bloco de Esquerda Luís Fazenda, lembrando que “a imposição do ministro da Educação surge numa altura em que a reforma que entrou em vigor no ano letivo 2009-2010 começava a apresentar os resultados pretendidos na consolidação de aprendizagens” e que as críticas públicas oriundas de vários setores “são um sinal claro de que este programa carece de um mínimo de consenso na sociedade e nas escolas”, requereu a audição, na Comissão de Educação, da Associação para a Educação Matemática Elementar e da Associação de Professores da Matemática.

Luís Fazenda, frisando que “o Bloco de Esquerda não pode aceitar que se implementem programas experimentalistas, sem uma base de fundamentação rigorosa e estruturada, e sem qualquer discussão pública”, questionou ainda o governo sobre esta questão.

Catarina Martins acusa ministério de “experimentalismo ideológico” e “autoritarismo”

Este sábado, a coordenadora do Bloco de Esquerda teceu duras críticas ao ministro da Educação, Nuno Crato, que “decidiu, do pé para a mão, a cinco meses de começar o próximo ano letivo, sem nenhum período experimental, alterar os programas de Matemática” para o Ensino Básico.

A coordenadora do Bloco de Esquerda considera que esta alteração constitui um “experimentalismo com um milhão de crianças, que o Governo quer começar em setembro” e que “não podemos permitir que aconteça”.

Este “é o governo do autoritarismo e Nuno Crato é a cara desse autoritarismo”, afirmou a deputada, lembrando que “até a Sociedade de Matemática, que fundou, está contra isso”.

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