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Concurso de professores: Diretores escolares contestam vagas anunciadas pelo governo

A Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) já recebeu queixas de directores de agrupamentos onde se assinala uma discrepância entre as reais necessidades de colocação de professores e as vagas anunciadas esta sexta feira pelo governo.

Supostamente, a lista publicada na portaria dos ministérios das Finanças e da Educação e Ciência, que estabelece o “número de vagas de cada um dos quadros de agrupamento de escolas e escolas não agrupadas, descriminadas por grupo de recrutamento” para efeitos do concurso nacional de docentes, foi construída com base num formulário preenchido pelos agrupamentos. O ministério garantia, na sexta feira, que a lista reflete as reais necessidades das escolas, contudo, a Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) contesta as vagas anunciadas.

“No que à minha escola diz respeito, os números não correspondem aos dados que eu presumia ter informado o ministério da Educação”, adiantou José Eduardo Lemos, dirigente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), em declarações à RTP. “Eu tinha apresentado quatro vagas negativas, são as que surgem, e tinha apresentado seis vagas positivas. Só aparecem nessa lista as vagas que eu disse ao ministério da Educação que deveriam ser fechadas, não aparecem aquelas que eu disse ao ministério da Educação que deveriam ser abertas”, esclareceu o director da Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim.

“Em alguns casos, os dados que foram indicados pelas escolas não correspondem aos dados que surgem nessa portaria”, resumiu o representante da ANDE, para onde já foram encaminhadas algumas queixas de discrepâncias entre as necessidades apontadas pelas escolas e as vagas enumeradas na portaria.

O director do Agrupamento de Escolas de Carcavelos, Adelino Calado, confirmou, em declarações ao jornal Público, que, ao ligar “para vinte e tal directores”, seus colegas, verificou que “em absolutamente nenhum caso o pedido de lugares no quadro foi atendido. No caso da Escola de Carcavelos, foram pedidas cinco vagas para Matemática e apenas surge a indicação de duas, e para Português, que necessitaria do mesmo número de vagas, foi identificada na portaria apenas uma.

O jornal Público cita ainda o bloguer Artlindo Ferreira que apresenta vários gráficos com tratamento de dados que mostram que o número e a localização de vagas agora abertas coincidem “quase a cem por cento, no que respeita aos grupos de recrutamento e às zonas, com as que abriram para concurso extraordinário em janeiro, ou seja, antes de os directores das escolas fazerem a tal manifestação de necessidades. “Aparentemente, a decisão estava tomada antes de a pergunta ser feita, ou seja, a decisão foi política”, comentou Arlindo Ferreira, em declarações a esse jornal.

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