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Com devolução de hospitais às Misericórdias, Governo quer criar clientela de gente fiel

Em Barcelos, o coordenador do Bloco de Esquerda criticou a devolução dos hospitais públicos às Misericórdias e acusou o Governo de querer criar “uma clientela de gente fiel. O Presidente da Câmara de Barcelos manifestou a disponibilidade do município para poder gerir o hospital local, evitando a entrega à Misericórdia, como quer o Governo.
Em Barcelos, o coordenador do Bloco de Esquerda criticou a devolução dos hospitais públicos às Misericórdias e acusou o Governo de querer criar “uma clientela de gente fiel - Foto de Paulete Matos

“O único benefício que eu vejo é que assim o PSD e o CDS ficam com uma corte de fiéis que nas próximas eleições seguramente os recompensarão com o seu voto. Não vejo outra razão”, afirmou João Semedo em Barcelos neste sábado, à margem de um debate, promovido pelo Bloco de Esquerda, sobre o futuro do hospital daquela cidade, que o Governo quer devolver à Misericórdia.

Segundo a Lusa, o deputado do Bloco sublinhou que não há “nenhum argumento que demonstre que é mais vantajoso” para um hospital ser gerido por uma Misericórdia em vez do Estado e salientou: “Os hospitais públicos devem ser geridos pelo Estado, já há a experiência das parcerias público-privadas e conhecem-se os maus resultados dessa transferência da gestão”.

João Semedo lembrou também que os hospitais públicos têm determinados critérios e parâmetros para a sua gestão e que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) “é uma rede única de hospitais e assim deve continuar a ser”.

“A partir do momento em que a gestão de um hospital público não obedece aos mesmos critérios, regras e normas dos restantes hospitais da rede do SNS, há assimetrias e conflitos que devem ser evitados”, frisou ainda o coordenador do Bloco.

Também à margem do mesmo debate, o presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Miguel Costa Gomes, declarou que o município poderá estar disponível para assumir a gestão do hospital local e evitar assim a entrega à Misericórdia.

“A gestão pública pode ser feita pela administração central como pode ser feita pela administração local. Deixo a porta em aberto. O Município estaria na disposição de avançar e discutir esta solução”, referiu Miguel Costa Gomes à Lusa.

O Presidente da Câmara de Barcelos garantiu que o executivo municipal fará “tudo o que estiver ao seu alcance” para impedir a entrega do hospital local à Santa Casa da Misericórdia.

“Não tenho aversão nenhuma a gestões privadas, mas há setores fundamentais da nossa sociedade que não devem ser privatizados e a saúde é um deles”, declarou Miguel Costa Gomes, garantindo que todas as soluções para assegurar a manutenção da gestão pública “estão em aberto”, podendo o município apresentar-se como possível gestor do hospital.

Em fevereiro passado, a Assembleia Municipal de Barcelos aprovou por unanimidade uma moção, apresentada pelo Bloco, em defesa do hospital público da cidade e contra a sua entrega à Misericórdia.

Na moção, consta ainda uma recomendação ao executivo camarário “para que encete as devidas diligências” junto das entidades competentes no sentido de contrariar a intenção de entregar a gestão do hospital àquela instituição.

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