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Nepal: greve geral e crise sem fim

Mais um episódio da crise política nepalesa que parece não ter fim, depois de uma Constituinte que não conseguiu aprovar uma Constituição e de um governo interino que não consegue acordo sobre a data das eleições.
A greve geral parou completamente o Vale de Kathmandu, coração do país. Mercados, escolas e todo o sistema de transportes acolheram o apelo dos maoístas. Foto de departing(YYZ)

O Nepal parou completamente, mais uma vez, no último domingo, com a poderosa greve geral convocada pelos maoistas da fração de Baidya, do Partido Comunista do Nepal – Maoísta, e por cerca de 33 partidos minoritários contra o processo eleitoral, que está a ser conduzido pelo governo interino, cujo mandato é de realizar novas eleições.

A greve geral parou completamente o Vale de Kathmandu, coração do país. Mercados, escolas e todo o sistema de transportes acolheram o apelo dos maoístas. A mobilização também foi forte nas principais cidades como Biratnagar, Janakpur, Butwal eNepalgunj.

A paralisação foi um protesto organizado pela facção do dirigente maoísta Mohan Baidya, que se opõe ao atual processo político de convocação de novas eleições em breve, após o fracasso recente da assembleia constituinte, que não conseguiu votar uma nova Constituição.

Crise sem fim

A greve do domingo assestou um duro golpe aos partidos maioritários nepaleses: Partido Comunista do Nepal Unificado, UML (Partido Comunista do Nepal Marxista-Leninista Unificado) e Congresso Nepalês. Esses partidos fizeram um acordo político que levou à formação do atual governo interino, encabeçado pelo chefe da Justiça Khil Raj Regmi, única figura nepalesa aceitável, ou melhor, engolível, tanto por maoístas, comunistas e burgueses do Congresso Nepalês, com o objetivo exclusivo de convocar novas eleições. O absurdo é tão grande que, após terem concordado que essa era a única saída possível, agora não conseguem entrar em acordo sobre a data do novo pleito eleitoral.

A facção de Baidya, uma cisão recente do partido comunista maoísta, alijada do processo, desde o início que se opôs à formação do governo interino, pedindo a renúncia de Regmi.

Antes disso, ainda sob o governo do anterior primeiro-ministro, o maoísta Baburam Battarai, do PC do N (U), a crise tornou-se ingovernável, com os partidos de oposição a realizarem protestos contínuos e, inclusive, greves gerais.

Nos últimos dias, os maoístas de Baidya foram acusados de bloquear o processo eleitoral já que, em várias localidades, membros dessa facção estavam a confiscar listas eleitorais e, até mesmo, computadores, com o objetivo de inviabilizar o processo.

A crise aberta com a vitória da Guerra Popular, que levou ao fim da monarquia nepalesa e à formação do raquítico regime democrático oriundo desse processo, fez cair nos últimos anos todos os governos que se formaram. Ninguém é capaz de governar o Nepal nos marcos de um regime democrático burguês, capitalista.

Após a greve geral deste domingo, tampouco deve existir alguém que possa prever o próximo absurdo na completamente trágica política nepalesa, já que ela pode ter inviabilizado o atual processo eleitoral.

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