Ana Cansado

Ana Cansado

Licenciada em Relações Internacionais. Ativista social. Escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990

A perda dos direitos de parentalidade não pode continuar a ser mais um dos medos que impede as mulheres de se libertarem de relações abusivas.

Nesta sociedade patriarcal a invisibilidade das mulheres torna clara a hierarquia que resulta das relações de poder entre homens e mulheres.

As Mulheres não se medem aos palmos e se a participação das mulheres nos centros de decisão económica e decisão política é deficitária não se deve a uma falta de vontade ou de capacidades, mas sim à desigualdade estrutural que vigora na sociedade portuguesa.

PSD e CDS-PP apresentam um projeto lei que prevê a aplicação do pagamento de taxas moderadoras na interrupção de gravidez, quando realizada por opção da mulher. Mais uma vez a ideologia conservadora prevalece sobre a realidade dos factos nas propostas do governo e da maioria.

O festival Olhares do Mediterrâneo - Cinema no Feminino arranca esta sexta-feira, afirmar a produção cinematográfica pelas mulheres é fundamental para aumentar a diversidade de olhares sobre um mundo onde tantas vezes as mulheres são invisibilizadas e silenciadas.

Quando surge o tópico da linguagem inclusiva há sempre alguém que faz qualquer comentário que desvaloriza o direito à representação linguística da identidade. Insisto na importância de eliminar o uso do masculino genérico ou do falso neutro. (texto publicado em abril de 2015)

A negligência do governo em respeitar o uso de uma linguagem inclusiva, em que ambos os sexos sejam mencionados de forma igual e paralela, tem como expoente máximo o cartão de cidadão.

Dados, ainda não publicados, do Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR mostram que, entre 1 de janeiro e 30 de outubro de 2014, ocorreram 34 femicídios. É de muitas vozes que precisamos para acabar com os abusos, denunciar a violência e salvar vidas.

Habitualmente, ignoramos que o uso da expressão Maria Rapaz é em última instância um elogio a traços de carácter apropriados pelas masculinidades hegemónicas. A música da artista Capicua não nos deixa esquecer que não reagir é compactuar com a perpetuação de estereótipos que condicionam a liberdade de meninas e mulheres.

Combater a discriminação não passa por reduzir a licença de maternidade ou retirar quaisquer direitos às mulheres.