You are here

Alemanha aproveita crise do Sul para atrair trabalhadores qualificados

Enquanto impõe políticas de recessão e miséria nos países do Sul da Europa, a Alemanha quer aproveitar o êxodo de 200 mil trabalhadores qualificados desses países, por ano, no próximo período. O resultado do investimento nessas qualificações, pagas pelos contribuintes gregos, espanhóis ou portugueses, irá assim ser transferido em massa para Berlim.
Governo alemão aproveita a sangria de quadros dos países sujeitos à austeridade da troika. Foto do Governo Federal alemão/Flickr

"Esta busca de trabalhadores qualificados" em Espanha, Grécia, Itália e Portugal, diz o diretor da Agência Federal de Emprego alemã, "centra-se principalmente em engenheiros, médicos e enfermeiros" formados nesses países sujeitos às medidas de austeridade da troika. Frank-Jürgen Weise calcula que "a longo prazo, o mercado laboral alemão necessitará pelo menos de 200 mil estrangeiros por ano para cobrir as necessidades". 

A mão de obra para a Alemanha também chega do Leste europeu e só este ano deverão entrar entre 100 mil e 180 mil trabalhadores menos qualificados da Bulgária e da Roménia.  Algumas empresas alemãs têm sido alvo de queixas de concorrentes de outros países, por aproveitarem a diretiva que permite aplicar na Alemanha a lei laboral do país de origem do trabalhador, ou seja, pagando salários de miséria e oferecendo condições de trabalho mais próximas da semi-escravatura. Dois ministros belgas apresentaram queixa à Comissão Europeia contra a Alemanha por "dumping social".

O aumento dos pedidos de emprego na Alemanha por parte de trabalhadores do Sul da Europa tem aumentado nos últimos anos, revela o site publico.es. Os espanhóis foram os que mais viram subir os pedidos de emprego na Alemanha em 2012 (mais 26,4%), seguidos dos gregos (23,2%), italianos (12,4%) e portugueses (12,3%). 

No ano passado, a Alemanha viu aumentar em 1% o número de pessoas com trabalho, ou seja, 2012 foi o sexto ano consecutivo de aumento do emprego e desde 2005 o número de trabalhadores aumentou 6,8%: mais 2,66 milhões de empregos.   Uma realidade que contrasta com o Sul da Europa, que viu as taxas de desemprego e a emigração aumentarem, à medida que as políticas ditadas por Berlim e Bruxelas foram sendo implementadas pelos governos comandados pela troika com os resultados que estão à vista: as suas dívidas não pararam de crescer, as suas economias afundaram-se e a nova geração dos seus trabalhadores mais qualificados vê-se obrigada a sair do seu país.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Internacional
(...)