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Chipre: Esquerda Europeia acusa UE de "autoritarismo" e "hipocrisia"

Dirigentes do Partido da Esquerda Europeia reuniram em Atenas para defender que os cipriotas têm o direito de decidir se desejam ou não submeter as imposições da troika a referendo. O PEE acusa a UE de "hipocrisia" no discurso contra a lavagem de dinheiro nos offshores, uma prática criminosa que Bruxelas sempre protegeu.
Barroso e Rompuy protegeram sempre os offshores dentro da UE e agora querem punir os cipriotas pela lavagem autorizada de dinheiro na banca europeia. Foto EPP/Flickr

O Partido da Esquerda Europeia, que integra o Bloco de Esquerda e o Syriza, entre outros partidos, considera que o plano do Eurogrupo imposto ao Chipre com a condição de não ser submetido à apreciação do seu parlamento nacional é "o novo plano universal contra os Estados da Eurozona sobre–endividados". Os dirigentes do PEE defenderam "uma frente europeia social e política de resistência e alternativa" à política dos que querem destruir a Europa, mascarando de "europeísmo" o seu plano de violência neoliberal para empobrecer ainda mais os países periféricos da zona euro.  


Declaração Pública da Presidência do Partido da Esquerda Europeia

Por ocasião da reunião realizada em Atenas no dia 27 de Março de 2013, a Presidência da Esquerda Europeia deseja manifestar a sua solidariedade com o povo cipriota e a sua luta contra a imposição do Memorando de austeridade.

1. Os desenvolvimentos em Chipre assinalam uma nova fase na União Europeia, caracterizada por uma escalada ainda mais violenta do autoritarismo neoliberal, contra a democracia e a soberania popular. A decisão em relação a Chipre é provavelmente o novo plano universal contra os Estados da Eurozona sobre–endividados. O NÃO do Parlamento cipriota, que surgiu em contraste com a posição submissa do novo presidente de direita Anastiasiades, foi brutalmente atacado pela União Europeia e a troika, que exigiu até que a decisão seguinte fosse aprovada sem voto parlamentar.

2. Ao mesmo tempo, a decisão em relação a Chipre é social e economicamente catastrófica: as previsões admitem uma "violenta adaptação" do povo cipriota à miséria, através da perda de 20 por cento do PIB cipriota nos próximos seis meses.

3. A súbita "determinação" da direcção da União Europeia de lutar contra a lavagem de dinheiro é hipócrita. Se a direção da União Europeia quisesse de facto lutar contra a lavagem de dinheiro e a fraude fiscal deveria ter aceite as reivindicações anteriores da Esquerda Europeia e dos movimentos sociais pelo encerramento dos paraísos fiscais e empresas offshore e pela imposição de taxas sobre movimentos de capitais.

4. A escalada da ofensiva neoliberal em nome do "europeísmo" empurra cada vez mais gente para o chauvinismo, o extremismo de direita e o populismo "anti-política". A Esquerda Europeia mantém-se firme contra a destruição da Europa, operada pela direção da União Europeia e os governos nacionais neoliberais e luta pela criação de uma frente europeia social e política de resistência e alternativa. O NÃO do Parlamento cipriota criou já uma rutura na narrativa dominante de que não há alternativa. A luta pela restauração da democracia, da justiça social e da soberania popular deve intensificar-se. Neste sentido, a Esquerda Europeia apoia a exigência do povo cipriota decidir se deseja ou não submeter o Memorando da destruição a um referendo.

Atenas, 27/03/2013

A Presidência do Partido da Esquerda Europeia


 

Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu

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