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Eslovénia pode ser o senhor que se segue

Taxas de juro da dívida do país a dez anos ultrapassaram pela primeira vez na quinta-feira a famosa barreira simbólica dos 7%, contra 6% na terça-feira e 5% na semana passada. Pode ser o primeiro efeito de contágio da crise de Chipre.
Alenka Bratusek, de centro-esquerda, assegurou ao Parlamento que “a Eslovénia é capaz de sair [da crise] por si própria”. Foto de UKOM (Stanko Gruden/STA)

Parece uma sequela de um filme já tantas vezes feito: a nova primeira-ministra da Eslovénia, república da Europa central que fez parte da antiga Jugoslávia, negou que o país seja o próximo resgate da Europa. Alenka Bratusek, de centro-esquerda, assegurou ao Parlamento que “a Eslovénia é capaz de sair [da crise] por si própria”.

Mas as taxas de juro da dívida eslovena a dez anos continuaram a aumentar quinta-feira e pela primeira vez ultrapassaram a famosa barreira simbólica dos 7%, contra 6% na terça-feira e 5% na semana passada.

A Eslovénia é um pequeno país de cerca de dois milhões de habitantes que faz fronteira com a Itália a oeste, com a Áustria a norte, com a Croácia a sul e com a Hungria a noroeste. Obteve a independência em 1991, ingressou no euro em 2007 e entrou em recessão em 2012 (-2,3%), que se deverá prolongar por 2013 (estima-se uma contração de 2%). O desemprego está em 13,6%, o défice orçamental foi de 4,4% do PIB em 2012 e prevê-se que suba para 5,1% este ano. A dívida pública é de, apenas, 54% do PIB, abaixo, por enquanto, da regra de ouro dos 60%.

FMI já tem planos

O Fundo Monetário Internacional apontou recentemente que o Tesouro esloveno vai precisar de 3 mil milhões de euros de financiamento este ano e mais mil milhões para a reestruturação dos três principais bancos em apuros. O anterior governo, que caiu em final de fevereiro, apontava para o sector bancário um plano para limpar os ativos tóxicos no montante de 4 mil milhões de euros, criando um “banco mau”. Na quarta-feira, o maior banco do país, o NLB, anunciou a criação de uma espécie de bad bank interno.

A dimensão do sector bancário é apenas de 1,5 vezes o produto interno bruto – muito abaixo da média de 3,5 da União Europeia e bem longe das 8 vezes no caso de Chipre.

Alenka Bratusek admitiu um aumento do IVA “se necessário” e a necessidade “de uma melhor colaboração com o setor público”, e advertiu: “a austeridade não terminou”.

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