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Chipre mobiliza-se contra a troika

Milhares de estudantes tomaram as ruas de Nicósia na terça feira, antecedendo um dia nacional de luta contra o acordo "troika-Anastesiades" e elevando os níveis dos protestos contra as imposições emanadas de Bruxelas e do FMI através do novo presidente cipriota.

As forças da oposição consideram que o acordo é o ponto alto da primeira fase do plano da troika contra o povo cipriota e reclamam a realização de um referendo popular sobre a sua aceitação ou rejeição.

"Chipre pertence ao povo", "troika para casa", "tirem as mãos de Chipre" foram algumas das palavras de ordem gritadas pelos estudantes que saíram às ruas de Nicósia para afrontar a troika, ignorando as pressões das autoridades das escolas sobre a aplicação de sanções no caso de aderirem ao protesto. A iniciativa partiu do Movimento Democrático Organizado dos Estudantes (PEOM), convergindo os desfiles para as imediações do palácio presidencial. Partindo da zona onde se situam as instalações da União Europeia em Nicósia em direção ao palácio os estudantes proclamaram que "não seremos os escravos do século XXI" e "a solução é fora da troika".

Na quarta feira, os principais partidos da oposição – o Partido dos Trabalhadores (AKEL), que tem apenas menos um deputado que a direita presidencial, e o Movimento Popular de Esquerda -organizam uma jornada pancipriota de luta contra a troika através de uma concentração na capital.

O AKEL considera que o acordo apenas contribuirá para aprofundar a crise através de mais desemprego, novas medidas de austeridade, mais cortes e privatizações. "A tentativa de socorrer o euro através dos três pilares da austeridade, cortes e privatizações irá aprofundar a recessão e conduzirá os países e os povos do Sul da Europa ao desastre", afirma a direção do Partido dos Trabalhadores.

Na sua declaração, o AKEL recorda que o atual presidente fez campanha invocando as suas boas relações com a Srª Merkel e outros dirigentes europeus para resolver os problemas da economia do país e, "ao fim e ao cabo, descobriu da maneira mais dura que a única coisa que interessa aos seus 'amigos' é servir os seus próprios interesses em vez dos interesses de Chipre".

O AKEL desmente também a declaração presidencial segundo a qual os partidos da oposição teriam dado o seu parecer favorável ao acordo. "Não perguntou nada nem teve o nosso acordo", afirma o principal partido da oposição. "Além disso, sublinhámos repetidamente que a nossa solução é fora da troika"", acrescenta.

O Partido dos Trabalhadores propõe a realização de um referendo sobre o acordo e uma investigação profunda sobre os responsáveis pelos problemas da economia cipriota. Defende ainda que o governador do Banco Central entregue ao Parlamento os nomes de todos quantos, ocupando postos e cargos públicos, retiraram dinheiro em massa dos bancos cipriotas nos últimos tempos. A medida deve ser extensiva a familiares das pessoas envolvidas.

As autoridades cipriotas informaram entretanto que os bancos só deverão reabrir na quinta feira, com aplicação de medidas muitos restritivas em relação aos movimentos de capitais, as quais, segundo o presidente, "serão apenas temporárias". As agências internacionais citam o ministro francês da Economia afirmando que as restrições serão "uma questão de semanas".

Agências internacionais revelam, por outro lado, que muitos dos depositantes russos terão retirado dinheiro dos bancos cipriotas, levantando-se agora a dúvida sobre se a taxa imposta pelo Eurogrupo sobre os depósitos acima dos cem mil euros será suficiente para obter os 4200 milhões de euros previstos.

O presidente do maior banco cipriota, o Banco de Chipre, que será reestruturado no âmbito das medidas tomadas pelo Eurogrupo, apresentou terça-feira a demissão ao Conselho de Administração.

 

Artigo publicado no site do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu.

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