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"Na prática, há uma expulsão do Chipre da zona euro"

O resgate a Chipre “inaugura um estilo de decisão imperial” e representa “um dia negro para a democracia, um revés para a Europa e lança a calamidade económica e social no Chipre”. Bloco considera “escandaloso” que Vítor Gaspar apoie uma decisão que vai acelerar a “fuga de capitais [da periferia] para a Alemanha”
Um funcionário do Banco Popular do Chipre, questiona a "ajuda" europeia durante uma manifestação em frente ao parlamento de Nicósia.

O Bloco de Esquerda entende que o resgate imposto pelo Eurogrupo a Chipre revela “irresponsabilidade e incompetência” das elites políticas da Europa e abre portas a que uma crise numa economia “praticamente irrelevante” da zona euro assuma “consequências sistémicas incalculáveis”.

“Esta decisão significa na prática uma expulsão do Chipre da zona euro. O Chipre passa a ter todas as desvantagens de pertencer à zona euro, nomeadamente o facto de ter prescindido da sua soberania monetária e ter constrangimentos à política orçamental, mas não tem nenhuma das vantagens por causa do controlo de capitais que foi introduzido”, defendeu José Gusmão em conferência de imprensa.

“Por um lado, o pacote draconiano de austeridade que está associado a esta intervenção significará uma compressão violenta do investimento e procura interna. Por outro, o controlo de capitais impede o acesso a investimento e procura externa. No contexto de uma economia com 14% de desemprego, esta decisão representará uma calamidade económica e social no Chipre. Mais uma vez os principais sacrificados serão os cidadãos”, diz o comunicado do secretariado da Comissão Política do Bloco.

Lembrando que o plano do Eurogrupo sobre Chipre não será objecto de deliberação no Parlamento de Nicósia, mas vai a votos no parlamento alemão, José Gusmão considera esta forma de decisão “imperial” que não responde perante nenhum poder democrático.

O resgate a Chipre, considera José Gusmão, terá “consequências sobre o conjunto da zona euro que aparentemente os ministros das finanças não avaliaram ou num cenário mais perverso terão avaliado e desejam”. Ao tomar as condições impostas à pequena ilha como o exemplo a seguir na zona euro, o presidente do Eurogrupo, “Jeroen Dijsselbloem, contribuiu ativamente para lançar o pânico na periferia da zona Euro e para relançar decididamente a transferência de capitais para o centro da zona euro”.

"É absolutamente escandaloso que o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, apoie uma decisão com estas características, porque ela significa que a fuga de capitais para a Alemanha se vai agravar e que ele está a trabalhar ativamente para essa fuga de capitais", afirmou o ex-deputado do Bloco.

“A única solução” para o Chipre, “um problema de natureza sistémica de funcionamento da zona euro”, passa pela “reestruturação das dívidas públicas das economias periféricas da zona euro, a introdução de um orçamento comunitário com condições para combater as assimetrias e a introdução dos eurobonds para financiar essa política”, considerou José Gusmão.

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