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Chipre: "Vão deixar as pessoas passar fome para salvar o grande capital"

Centenas de manifestantes concentraram-se esta noite em Nicósia à porta do palácio presidencial, em protesto contra as medidas de austeridade, que serão anunciadas após o culminar da negociações entre as autoridades cipriotas e os representantes da troika.

Centenas de manifestantes cipriotas concentravam-se ao início da noite de domingo no centro de Nicosia, protestando contra os termos do plano de resgate do país.

À porta do palácio presidencial e dos escritórios da União Europeia na capital, as manifestações decorriam à hora marcada para o início da reunião do Eurogrupo, em Bruxelas, em que será tentado um acordo de última hora para evitar o colapso da banca cipriota.

"Vão deixar as pessoas passar fome para salvar o grande capital", reclamava a manifestante Athina Kariati, num grupo de cerca de meio milhar de membros do partido comunista Akel, concentrados à porta da Comissão Europeia.

Presidente anuncia “culminar de esforços” para chegar a plano de resgate

O presidente de Chipre anunciou hoje o “culminar dos esforços” com a troika para alcançar um plano de resgate para o setor financeiro do país.

Segundo fontes comunitárias citadas pela AFP, o acordo preliminar, ainda pendente de aprovação pelos ministros das finanças do Eurogrupo, prevê uma taxa de 40% sobre os depósitos de mais de 100 mil euros no Banco de Chipre, o maior do país.

“Os esforços culminaram”, anunciou na rede social Twitter o presidente cipriota, que esteve reunido durante todo o dia com responsáveis da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.

O governo de Nicósia está envolvido numa corrida contra o tempo para concluir, antes desta segunda-feira, com os seus parceiros europeus um plano de resgate financeiro, após o Parlamento cipriota ter rejeitado na terça-feira o projeto que previa o pagamento de um imposto sobre depósitos bancários.

Ainda segundo a AFP, que cita uma fonte próxima das negociações, o banco Laiki será liquidado.
Os pequenos depositantes serão poupados aos cortes, mas também aqui aqueles que têm depósitos de montante superior a 100 mil euros sofrerão perdas que, de acordo com a agência Reuters, podem implicar o congelamento de uma parte ainda incerta acima dos 100 mil euros, que será usada para abater à dívida.

O objetivo da medida, agora conhecida como “plano B”, é reunir os sete mil milhões de euros que exigem a troika e credores internacionais para a concessão de um empréstimo de 10 mil milhões de euros.

De lado ficou a ideia de uma taxa sobre todos os depósitos bancários, segundo a mesma fonte.
O presidente cipriota esteve reunido toda a tarde com os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, do BCE, Mario Draghi, e dp Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.

Também esteve reunido com a diretora do FMI, Christine Lagarde.

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