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Chipre: Banqueiros dizem que deputados devem adotar proposta da troika

Alemanha, troika e banqueiros aumentam a pressão sobre o país. A Rússia não aceitou participar num plano B proposto pelo governo de Nicósia e anuncia que só participará desde que Chipre chegue a acordo com a UE. Sucursais de bancos cipriotas na Grécia foram vendidas a bancos gregos. O parlamento cipriota era para aprovar um novo plano na manhã desta sexta-feira, mas a reunião plenária foi adiada para a noite. Concentração popular mantém-se junto ao parlamento.
Concentração de trabalhadores bancários junto ao parlamento do Chipre, 22 de março de 2013 – Foto de Katia Christodoulou/Epa/Lusa

As negociações de um plano B, assente na criação de um Fundo de Solidariedade cipriota e a participação da Rússia, falhou devido à recusa russa. O ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, disse que os investidores russos não se interessaram pelo plano do governo cipriota e anunciou que só participará em novas negociações, depois de um acordo do Chipre com a União Europeia (UE). O assunto estará a ser discutido nas negociações entre a UE e a Rússia, que decorrem em Moscovo, com a presença de Durão Barroso.

O presidente do Banco do Chipre (não se trata do banco central, mas de um banco privado) declarou nesta sexta-feira: "Deve ser compreendido por todos, e especialmente pelos 56 deputados do Parlamento, que não deve haver mais nenhum atraso na adoção da proposta do Eurogrupo de aplicar um imposto sobre os depósitos acima de 100 mil euros, se queremos salvar o nosso sistema bancário".

O patrão do Banco Laiki (Banco Popular), Takis Phidias, criticou o plano B do governo cipriota, em declarações à rádio, defendendo que “apesar da proposta inicial do Eurogrupo ser dolorosa, assegurava o futuro do setor bancário”.

Entretanto, foi anunciado que o Banco do Pireu (um banco grego) vai adquirir as filiais gregas do Banco do Chipre e do Banco Laiki.

Também nesta sexta-feira, foi divulgado que a chanceler alemã Angela Merkel ameaçou Chipre de que não deve “abusar da paciência dos parceiros da zona euro”. Merkel fez esta declaração numa reunião com o grupo parlamentar do FDP (liberais alemães), onde terá também afirmado a sua oposição ao plano B cipriota, nomeadamente à transferência dos fundos de pensões para o fundo de solidariedade. Merkel acusou ainda o governo cipriota de que “não comunicou com a troika durante vários dias”. A chanceler alemã tem declarado também que o “modelo de negócio” cipriota está morto e que o único interlocutor de Nicósia é a troika.

O parlamento cipriota adiou para a noite desta sexta-feira a reunião plenária que devia ter tido lugar esta manhã e onde deve ser apresentado pelo governo um novo plano. A troika exige que Chipre garanta 7 mil milhões de euros, para emprestar 10 mil milhões. A troika exige ainda um imposto sobre os depósitos bancários e a restrição dos movimentos de capitais.

Junto ao parlamento cipriota, têm-se mantido concentrações de protesto contra a troika e o plano do Eurogrupo. Nesta sexta-feira, participaram sobretudo trabalhadores bancários que temem o despedimento.

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