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Ambientalistas acusam Cristas de defender biocombustíveis na UE

No Conselho de Ministros europeus do Ambiente que reúne esta quinta-feira, o Governo português vai opor-se à diretiva que reduz a metade a percentagem de biocombustíveis usados pelos condutores. A Liga para a Proteção da Natureza acusa Cristas de "rejeitar os factos científicos" e "insistir em práticas nocivas" para o ambiente.
Assunção Cristas ignora estudos científicos e quer manter o nível de biocombustíveis no combustível consumido pelos europeus. Foto FAO/Flickr

"Os ministros da Energia reuniram-se no passado dia 22 de Fevereiro e a posição do Governo Português consistiu na rejeição dos factos científicos e a insistência numa tecnologia que emite mais emissões de carbono do que os próprios combustíveis fósseis", acusa a Liga para a Proteção da Natureza (LPN) em comunicado divulgado na véspera da cimeira dos ministros do Ambiente da UE. Contactado pela imprensa, o Ministério de Assunção Cristas respondeu às críticas com o silêncio.

A anterior Diretiva das Energias renováveis apontava como objetivo a incorporação de 10% de biocombustíveis no combustível usado pelos automobilistas em 2020. Mas os estudos científicos revelam que a produção de biocombustíveis, para além de causarem o aumento das emissões de carbono, também põe em causa a segurança alimentar das populações, ao criar um mercado especulativo dos produtos alimentares que lhe servem de matéria-prima, para além de ter consequências nefastas na utilização intensiva dos solos. 

Os estudos contribuíram para pôr em cima da mesa dos ministros do Ambiente a revisão desse objetivo, cortando-o a metade, para os 5%. "Mas mesmo esta posição é rejeitada de forma irresponsável por vários países, entre eles Portugal, Espanha, Itália e Grécia", denunciou a LPN. "Estes governos que se opõem às restrições aos biocombustíveis utilizam a desculpa do desconhecimento dos estudos e falta de certezas dos mesmos, mas foi a própria Comissão Europeia que avançou com as propostas com base nos estudos que confirmam o carácter destrutivo das práticas que têm produzido os biocombustíveis", prossegue o comunicado.

Para os ambientalistas, a posição do Governo português "revela a insistência no curto-prazo e na insustentabilidade para as gerações futuras", procurando dessa forma "insistir em práticas nocivas no apoio à indústria subsidio-dependente dos biocombustíveis".  

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