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Curdistão: PKK apela aos combatentes a "calar as armas"

Centenas de milhares de pessoas ouviram a mensagem do líder histórico independentista Abdullah Ocalan, condenado a prisão perpétua na Turquia, a apelar à retirada dos combatentes do território turco e à troca da luta armada pela luta democrática.
Guerrilheiros curdos dão um passo em direção ao fim do conflito armado com a Turquia. Foto Open Democracy/Flickr

O discurso foi lido à multidão que festejava o Ano Novo Persa em Diyarbakir, capital oficiosa do Curdistão turco, por dois deputados do Partido da Paz e Democracia. "Hoje é o início de um novo tempo. Um tempo em que começam os direitos democráticos, a liberdade e a igualdade. As armas devem calar-se para que prevaleça a política", afirmou Ocalan, em defesa do plano de paz que ponha termo ao conflito que desde 1984 já fez mais de 40 mil mortos.

 

O Governo turco e o líder do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) têm desenvolvido negociações desde o fim de 2012 e na semana passada o PKK libertou oito reféns turcos, após o parlamento turco ter aprovado o direito dos cidadãos a defenderem-se em tribunal na sua língua materna, uma das reivindicações dos presos do PKK. No entanto, os bombardeamentos da aviação turca sobre os territórios controlados pelo PKK a norte do Iraque prosseguiram durante estas negociações.

 

"Vamos fazer com que as armas se calem, que acabe o derramamento de sangue dos turcos e dos curdos. Este é um processo para que as comunidades curda e da Anatólia (referindo-se à Turquia) possam viver juntas em paz", acrescentou Ocalan na sua mensagem, citada pelo diário El Pais.

 

Com este anúncio, é de esperar que a retirada dos guerrilheiros curdos da Turquia se processe nos próximos meses, mas resta aidna saber quais os passos que o governo turco estará disposto a dar para contribuir para a pacificação e ajudar a remover uma das barreiras colocadas à sua entrada na União Europeia, por causa das sucessivas violações dos direitos humanos da população curda.

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