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Comissão Barroso culpa autoridades de Chipre por assalto às contas bancárias

A Comissão Europeia responsabiliza as novas autoridades de Chipre pelo assalto às contas bancárias abaixo de cem mil euros num comunicado divulgado quarta-feira em Bruxelas. O organismo presidido por Durão Barroso procura ainda demarcar-se de algumas medidas do programa de resgate para Chipre que diz não corresponderem às suas "propostas e preferências".
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A declaração da Comissão Europeia, tornada pública depois de o Parlamento de Chipre ter rejeitado, sem um único voto de apoio, o programa de resgate apresentado pela troika, deixa agora nas mãos das autoridades de Nicósia as novas propostas para o resgate. A reação do Parlamento cipriota abre o primeiro contencioso sério entre a troika e as instituições de um país candidato à chamada "assistência financeira" proporcionada pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI.
No seu comunicado de quarta-feira, a Comissão Europeia afirma que as autoridades de Chipre apresentaram um pedido de "assistência financeira" em Julho de 2012. Entre essa data e as recentes eleições não foi possível "concluir um acordo" sobre o resgate, que deverá incidir sobre o setor bancário, que "tem uma envergadura insustentável para a economia cipriota".
Logo que o direitista Anastesiades venceu as eleições e o seu partido, a União Democrática, se tornou o maior do Parlamento, com um deputado mais que o Partido dos Trabalhadores (AKEL), a troika e as novas autoridades de Nicósia estabeleceram um acordo, materializado através do Eurogrupo através do lançamento de uma "taxa" entre 6,5% e 9,9% atingindo todas as contas bancárias do país.
De acordo com a Comissão Europeia, as "condições incluídas" no acordo procuravam estabelecer "um nível sustentável de dívida" e "os correspondentes parâmetros financeiros". Diz o organismo de Barroso que nem todas essas medidas correspondiam às suas "propostas e preferências"; no entanto, sentiu-se "no dever de as apoiar porque as outras alternativas eram ambas de maior risco e menos suportáveis pela economia de Chipre".
Uma vez que o Parlamento rejeitou o memorando e que a Comissão diz reconhecer o poder de decisão dos Estados membros, cabe agora às autoridades cipriotas "apresentar o cenário alternativo", mas "respeitando os critérios de sustentabilidade da dívida e os correspondentes parâmetros financeiros".
A Comissão diz que fez "o seu melhor" para encontrar uma solução e que continua "disponível para facilitar soluções", em conjunto com as autoridades de Nicósia. Estas, pela voz do presidente Anastesiades, têm-se queixado da "chantagem" de Bruxelas.
O comunicado diz também que a Comissão "tornou claro" perante o Eurogrupo, "antes do voto do parlamento cipriota", que seria preferível não atingir os depósitos abaixo dos cem mil euros, "um cenário alternativo que as autoridades cipriotas não aceitaram".
As declarações do presidente de Chipre e o comunicado da Comissão Europeia evidenciam posições diferentes e versões diametralmente opostas dos factos.

 

 


Artigo publicado no site do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu.

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