You are here

Wolfgang Münchau: "Europa arrisca corrida aos bancos"

Wolfgang Münchau, influente colunista, sustenta no artigo “A Europa está a arriscar corrida aos bancos”, publicado esta segunda-feira no Financial Times, que “os países credores vão agora insistir que os resgates bancários devem ser co-financiados pelos depositantes” e que “os ministros das Finanças da zona euro podem bem ter iniciado uma corrida aos bancos”.
"Se alguém quisesse alimentar o clima político de insurreição no sul da Europa, este era o caminho para fazê-lo", defende Wolfgang Münchau

Wolfgang Münchau defende que “se alguém quisesse alimentar o clima político de insurreição no sul da Europa, este era o caminho para fazê-lo. O dano político a longo prazo desta medida vai ser enorme. No curto prazo, o risco consiste numa corrida aos bancos generalizada, não apenas no Chipre.”

“Sir Mervyn King disse uma vez que não era racional iniciar uma corrida bancária, mas racional participar nela uma vez iniciada. O governador do Banco da Inglaterra estava certo, é claro. Na manhã de sábado, os ministros das Finanças da zona do euro podem muito bem ter iniciado uma corrida aos bancos”.

O colunista alemão deixa claro que “com o acordo sobre um haircut no Chipre, a zona do euro, declarou efetivamente uma moratória sobre a garantia dos seguros dos depósitos bancários”. O especialista defende que em 2008, após o colapso do Lehman Brothers, tinha sida dada uma garantia clara, aquando do resgate bancário, “as poupanças depositadas estão seguras.”

“O Chipre não está a declarar default ou a impor perdas aos depositantes. O país está a impor uma taxa de 6,75% sobre os depósitos até 100.000€, e uma taxa de 9,9% por cento acima desse valor. Juridicamente, este é um imposto sobre o património. Economicamente é um haircut.”

Münchau, diz-se “pessoalmente favorável a haircuts, ou taxas, sobre depósitos de mais de 100.000 €. Não há nenhuma razão moral ou económica para proteger os estrangeiros que decidiram “estacionar” grandes quantias em contas bancárias cipriotas, por qualquer motivo.”

“Eu simplesmente não podia acreditar quando ouvi que os ministros das finanças da zona do euro foram atrás dos pequenos depositantes no Chipre. Eu entendo a razão puramente técnica porque fizeram isso. A zona do euro não poderia concordar com um resgate completo, que custaria 17 mil milhões de euros.”

O economista, especializado na zona euro, defende que “os alemães rejeitaram um empréstimo, que estavam certos, que o Chipre, invariavelmente não conseguiria pagar. Assim, o valor foi reduzido para 10mil milhões. Um haircut aos depositantes era a única forma de o co-financiar. Quando fizeram as contas, descobriram que os grandes depósitos não chegavam.”

“Assim, optaram por um imposto sobre a riqueza, praticamente sem progressividade. Não havendo nenhuma exceção para pessoas com poupanças mais pequenas.”

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Internacional
(...)