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Chipre: "O Bloco nunca aceitará uma solução idêntica"

O coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, classificou a taxa sobre depósitos cipriotas como sendo "uma decisão irresponsável e que confirma o desnorte que se instalou em Bruxelas e Berlim". O líder parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares, disse que Vítor Gaspar, "ao colocar-se ao lado da Alemanha, não percebe que é também Portugal que está em causa".
"O ministro das Finanças, quando está na Europa, não tem noção dos reflexos que isso possa ter para o país. Não percebe de que lado está e não está, seguramente, do lado dos interesses das pessoas", declarou Pedro Filipe Soares

"Do que se conhece, estamos perante uma gravíssima violação dos compromissos assumidos pelos responsáveis europeus quanto à garantia dos depósitos  e do próprio presidente cipriota, que pode fragilizar o sistema financeiro e multiplicar efeitos sistémicos imprevisíveis," declarou o coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, à agência Reuters.

"É uma decisão irresponsável e que confirma o desnorte que se instalou em Bruxelas e Berlim".

Segundo João Semedo, "estamos perante uma violação grosseira dos tratados internacionais sobre a segurança dos depósitos, bem como uma quebra da unidade fundamental da zona euro. O que este confisco vem confirmar, de forma crua e cruel para os cipriotas, é que um euro num banco do Chipre vale menos do que um euro num banco alemão."

“Doravante, nenhum cidadão europeu (principalmente os dos países da periferia do euro) olhará para o dinheiro depositado no banco com a certeza de que este é seu”.

“Juntar uma redobrada crise de confiança no sistema financeiro, em países já atacados por uma economia parada e elevadíssimos níveis de desemprego, é atirar gasolina para a fogueira da crise dos países da periferia da zona euro”.

“O Bloco nunca aceitará uma solução idêntica, ou similar, em Portugal e está certo da resistência popular a um programa austeritário que todos os dias dá provas do seu rotundo falhanço”, afirmou João Semedo.  

"Ao colocar-se ao lado da Alemanha, Vítor Gaspar, não percebe que é também Portugal que está em causa”

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, disse esta segunda-feira que o ministro Vítor Gaspar, "ao colocar-se ao lado da Alemanha, não percebe que é também Portugal que está em causa", na taxa imposta aos aforradores do Chipre.

"É um ministro que não percebe que, nesta decisão em que participou, não é o Chipre que está em causa: são todos os países que estão sujeitos a planos de austeridade, sob o garrote da chantagem da dívida, e é também Portugal", disse Pedro Filipe Soares, em conferência de imprensa realizada hoje em Aveiro.

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda acusa Vítor Gaspar de se ter "colocado do lado da Alemanha, em vez de defender os interesses dos países periféricos" em que Portugal se inclui.

"O ministro das Finanças, quando está na Europa, não tem noção dos reflexos que isso possa ter para o país. Não percebe de que lado está e não está, seguramente, do lado dos interesses das pessoas", declarou Pedro Filipe Soares, concluindo que Vítor Gaspar "não está à altura das responsabilidades" que lhe são atribuídas.

Após a última reunião dos ministros das Finanças do Eurogrupo foi anunciada a decisão de aplicar no Chipre uma taxa de 6,75 por cento sobre o valor dos depósitos até 100 mil euros e de 9,9 por cento para depósitos acima daquele montante.

Pedro Filipe Soares diz que a medida cria uma instabilidade e incerteza generalizada: "O nosso ministro das Finanças participa neste teatro de austeridade, que é uma peça de terror sobre a vida das pessoas. O que vemos é que, com estas escolhas não há nada que esteja a salvo das garras do sistema financeiro e desta política fanática de austeridade. Sabemos que nada está a salvo no nosso país".

O líder parlamentar do Bloco lembra que no Chipre também "ninguém poderia dizer há uma semana que agora se estava a assistir a uma corrida aos bancos e "ninguém se lembraria sequer que os ministros das Finanças da União Europeia tomariam uma decisão, por larga maioria, para fazer uma nova taxa sobre os depósitos bancários mais pequenos" que estavam protegidos por lei.

Servindo-se da linguagem da astrologia, Pedro Filipe Soares conclui que "nas cartas de Gaspar nunca sai uma solução para o País, mas mais problemas. É assim em Portugal e está a ser assim no Eurogrupo, que deliberou as medidas sobre o Chipre".

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