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Renegociação é a solução

As jornadas parlamentares deram o mote para a semana parlamentar: a renegociação da dívida é a única solução para a crise que o país enfrente. A 7ª avaliação da troika trouxe essa confirmação.

A semana parlamentar começou com as jornadas parlamentares realizadas no distrito de Aveiro. O Bloco apresentou propostas para responder ao que é essencial na vida das famílias: aumento do salário mínimo para garantir dignidade para quem trabalha; suspensão de cortes de bens essenciais para famílias em situação de carência económica, para que ninguém fique privado de água, eletricidade ou gás por falta de dinheiro; e uma amnistia no pagamento de propinas para os alunos do ensino superior que não conseguem assumir o seu pagamento. São propostas de justiça, de humanidade e de garantia de futuro.

No encerramento das jornadas parlamentares apresentou-se a resposta para o problema da dívida pública, que tem servido para legitimar a política de austeridade. A política de austeridade está a destruir a economia e a vida das pessoas. O número de falências não para de aumentar e o desemprego já bateu à porta de mais de 1 milhão e 300 mil pessoas. O governo está em guerra com o país para não afrontar os juros agiotas. A dívida é a chantagem para a crescente austeridade, apesar da própria dívida não parar de crescer mesmo depois de toda a austeridade, atirando o país para um ciclo recessivo. O Bloco propõe a renegociação da dívida nos seus prazos, montantes e juros.

A renegociação da dívida tem de passar pela criação de um novo modelo de Obrigações de Tesouro, reduzindo o valor da dívida e com período de carência até 2020. Defendemos também que o pagamento da dívida seja indexado ao crescimento da economia e das exportações. Assim, colocamos as pessoas à frente dos especuladores e agiotas que estão a arruinar o país.
No final da semana, o Ministro Vítor Gaspar anunciou os resultados da 7ª avaliação da troika. Foi o reconhecimento da incompetência do Governo e a demonstração como a austeridade não é solução, antes agrava todos os problemas. Dois anos depois da chegada da troika ao nosso país temos menos economia e mais desemprego. A dívida pública não parou de aumentar, prevendo-se, agora, que possa chegar aos 124%. O governo continua a não ter mão no défice que, na realidade, ficou em 6,6% no ano de 2012. A receita do governo e da troika está a destruir o país. Os resultados desta avaliação só reforçam as propostas do Bloco de Esquerda: renegociar a dívida, para criar emprego e fazer crescer a economia. Romper com os juros agiotas e com os especuladores, para defender as pessoas.

O governo insiste na austeridade e sacrifica as pessoas. Antes de Vítor Gaspar, já Miguel Relvas tinha anunciado despedimentos de centenas de trabalhadores na RTP. Durante a conferência de imprensa do Ministério das Finanças, ficaram subentendidos mais milhares de despedimentos na função pública. Se o governo insiste na austeridade, se insiste em sacrificar as pessoas, o país não se calará até à demissão do governo e da troika.
 

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Sobre o/a autor(a)

Deputado, líder parlamentar do Bloco de Esquerda, matemático.
Termos relacionados Política, semana parlamentar 2013
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