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China: Xi Jinping, um dos homens mais poderosos do planeta

Trajetória do futuro presidente da China, que será referendado pelo Congresso Nacional do Povo, mostra que é um homem inteligente e capaz, mas também que faz parte da “nobreza vermelha”: é filho de um veterano da Longa Marcha que caiu em desgraça mas foi reabilitado por Deng Xiaoping.
Xi Jinping: fortuna da família do novo presidente “comunista”, é avaliada em 376 milhões de dólares. Foto de Erin A. Kirk-Cuomo, wikimedia commons

O Congresso Nacional do Povo, a legislatura chinesa, formada por 2987 delegados, eleitos de forma indireta, iniciado no dia 5, irá referendar Xi Jinping como o novo presidente da segunda potência económica mundial.

A maioria dos delegados pertence ou é ligada ao partido único do país, o Partido Comunista da China, fundado em 1921, na cidade de Xangai, que esteve a cabeça da Revolução Chinesa, um dos acontecimentos mais importantes do século passado. Como em toda ditadura, esse evento, não democrático, carece de legitimidade, já que não representa os verdadeiros anseios da população chinesa, a maior do planeta, formada por mais de 1.300 milhões de pessoas, completamente amordaçadas nos seus direitos políticos.

Carreira de Xi Jinping

Xi Jinping nasceu em 15 de junho de 1953, em Pequim, mas segundo as convenções chinesas é nativo de Fuping, na província de Shaanxi, no noroeste do país. Graduado em engenharia química, na prestigiada Universidade Tsinghua, em Pequim, onde cursou também a pós-graduação, estudou, entre 1998 e 2002, teoria marxista, doutorando-se em ciência política.

Ingressou na Liga da Juventude Comunista, em 1971 e, a partir daí, começou a sua carreira de burocrata comunista. Em 1974, ingressou no Partido Comunista. Em 1982 foi enviado para Zhengding, na província de Hebei, sendo promovido ao cargo de secretário do comité do PC dessa localidade. De 1985 a 2002 serviu na província costeira de Fujian. Em 2000 foi promovido a governador dessa província. Enviado para a vizinha província de Zhejiang, também na costa, entre 2002 e 2007, foi governador e chefe do partido. O seu desempenho em Zhejiang levou-o ao comité central do PC. Em 2007 já era um dos principais dirigentes do partido, sendo enviado a Xangai, a segunda cidade mais importante do país, depois de Pequim, como chefe do partido. Nesse mesmo ano entrou no Comité Permanente do Politburo, que funciona, na prática, como o principal órgão de poder da China.

Em 2008 foi eleito vice-presidente e, em 15 de novembro do ano passado, foi eleito Secretário Geral do PC e Presidente da Comissão Central Militar, consolidando-se como o sucessor do presidente Hu Jintao.

Xi Jinping é casado com a famosa cantora Peng Liyuan, que começou a carreira cantando para o Exército de Libertação Popular.

O seu percurso mostra que é um homem inteligente e capaz, mas a sua principal virtude parece não ser essa e sim ser filho de Xi Zhongxun, que foi parte da primeira geração de líderes comunistas chineses. Fez parte da Longa Marcha, a guerra popular prolongada, que levou os comunistas ao poder em 1949. Em 1956 foi eleito para o comité central do PCC, tornando vice-primeiro-ministro em 1959, sob Mao Zedong. Caiu em desgraça em 1962 e foi reabilitado em 1978. Já na era Deng Xiaoping, foi governador e comissário político da Região Militar de Guangdong. Foi mentor do processo de liberalização capitalista nessa, então, pobre província chinesa. A sua proposta esteve na origem da formação das ZES, Zonas Económicas Especiais, que levou Guangdong a ser uma das regiões mais industrializadas do planeta e cumpriu um papel determinante no processo de restauração capitalista, iniciado com a ascensão de Deng Xiaoping. Em 1982, já membro do polituburo, Xi Zhongxun era um dos homens mais importantes da China.

Nobreza vermelha”

A ascensão de Xi Jinping é a demonstração do papel que joga hoje a “nobreza vermelha”, ou seja, a influência que exercem os familiares dos antigos dirigentes políticos chineses, em particular os ligados a Deng Xiaoping, principal impulsionador da restauração capitalista que já dura cerca de 30 anos. Um outro exemplo curioso desse fenómeno foi a ascensão de Bo Xilai, que agora caiu em desgraça e se encontra preso, aguardando julgamento, que deverá ocorrer após o término do atual Congresso Nacional do Povo. Bo Xilai, que se não tivesse caído em desgraça seria um dos candidatos a um dos principais postos políticos, é filho de Bo Yibo. Bo Yibo foi um do homens mais poderosos da Era Deng Xiaoping e também membro da fação de linha-dura que defendeu o massacre do movimento de protesto da Praça da Paz Celestial, em 1989.

Xi Jinping, ao transformar-se num dos homens mais poderosos do mundo, junto com Barack Obama e a senhora Merkel, entre outros, não apenas é prova da ascensão política da “nobreza vermelha”, como também da ascensão económica desse setor, já que a fortuna da família do novo presidente “comunista”, é avaliada em 376 milhões de dólares. O curioso nessa história é que Xi, no papel de presidente, terá, em tese, que lutar contra a corrupção no país, ao que parece da mesma maneira que Passos Coelho faz em Portugal ou Mariano Rajoy na Espanha.

Xi Jinping será acompanhado por Li Keqiang, o novo primeiro-ministro, também membro do Comité Permanente do Politburo.

Li Keqiang não é originário da “nobreza vermelha”. O seu pai não passou de um dirigente local da província de Anhui, onde nasceu em 1 de julho de 1955. Li Keqiang, ao que parece, abriu caminho por conta própria nos labirintos da burocracia chinesa. Entrou no partido em 1974, poucos anos antes do processo de abertura capitalista. A sua carreira política foi forjada no interior da Liga das Juventudes Comunistas. Em junho de 1998 foi indicado como o governador mais jovem da China, aos 43 anos, na província de Henan, uma das mais povoadas. Em 2004 foi nomeado chefe do partido em Liaoning. Em 2007 já tinha lugar no Comité Permanente do Politburo. No ano seguinte foi eleito vice-primeiro-ministro. No interior das lutas de bastidores da política chinesa não fica claro se Li Keqiang, cuja carreira sempre foi vinculada ao presidente Hu Jintao, cujo mandato se encerra neste congresso, era ou não o seu candidato preferido. Li Keqiang é casado com a professora Cheng Hong da Capital University of Economics and Business.

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