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Mulheres da Esquerda Europeia exigem Igualdade e Autonomia

A EL-Fem (rede feminista do partido da Esquerda Europeia) toma posição contra a degradação das “ condições de vida provocada pela crise capitalista e pelas regras do patriarcado nos nossos países”, rejeita “o desmantelamento do Estado Social, que atinge maioritariamente as mulheres” e afirma a luta “por uma Europa socialista e feminista, com justiça social e de género”.
Foto de ciudad de mujeres/flickr

É o seguinte o texto na íntegra da EL-Fem (rede feminista do partido da Esquerda Europeia)

Exigimos Igualdade e Autonomia no dia 8 de Março e todos os dias do ano!

Hoje, no dia Internacional das Mulheres 2013, as mulheres em toda a Europa estão a protestar contra a degradação das suas condições de vida provocada pela crise capitalista e pelas regras do patriarcado nos nossos países! Nós, as mulheres e as feministas da Esquerda Europeia, fazemos parte deste movimento internacional de mulheres.

Lutamos para que as nossas condições de vida não sejam ditadas pelos mercados financeiros e exigimos aos nossos governos e à UE que seja proibida a especulação com dinheiro público e que sejam implementados impostos sobre a propriedade. Os programas de austeridade não podem continuar a destruir economias nacionais e a colocar em risco a sobrevivência de mais pessoas, em particular as mais vulneráveis, das quais a maioria são mulheres. Também protestamos contra a corrupção praticada por alguns políticos em todos os nossos países e exigimos que eles sejam presentes aos tribunais.

De maneira mais enfática rejeitamos o desmantelamento do Estado Social, que atinge maioritariamente as mulheres enquanto trabalhadoras e utentes dos seus serviços.

Exigimos trabalho, salários e condições de trabalho decentes para todos, mulheres e homens, imigrantes e nacionais. Mas a produção económica e o trabalho não devem destruir a natureza e a vida na Terra. Além disso, o número de horas de trabalho deve ser reduzido e o valor do trabalho de cuidar que é feito pelas mulheres deve ser muito mais valorizado. Não queremos que a economia seja organizada de acordo com os princípios de maximização do lucro e do crescimento, mas de acordo com as necessidades humanas.

Não pensamos que neste planeta existam pessoas que devam ter mais direitos do que outras. Consequentemente, exigimos que a UE abandone as suas políticas restritivas de asilo e de migração que representam uma brecha permanente dos direitos humanos e afirmamos a nossa solidariedade com os movimentos de refugiados que em toda a Europa lutam por direitos de residência e pelo direito de aceder ao mercado de trabalho. Lutamos por condições de vida decentes para os refugiados. A Europa é uma das responsáveis pelas condições que noutros continentes conduzem à migração. Exigimos uma completa reestruturação das relações económicas neste planeta.

Lutamos contra a violência masculina 'machista' perpetrada contra as mulheres na nossa vida quotidiana e o sexismo que permeia as nossas sociedades e o discurso público e exigimos a extensão de programas que protejam as mulheres contra esta violência. A violência contra as mulheres assume diversas formas e serve para nos enfraquecer e controlar. Exigimos que sejam tomadas medidas contra o tráfico de mulheres e a prostituição forçada.

Sobre a questão da violação, que recentemente assumiu dimensões preocupantes, exigimos legislação apropriada e um funcionamento das autoridades públicas que ajudem as mulheres a denunciar a violação, a não sentirem vergonha, e que assegure a punição dos violadores pelos tribunais.

Enquanto lésbicas exigimos mais visibilidade para a nossa luta , respeito em todas as esferas das nossas vidas e o fim de todas as discriminações.

A autonomia económica é essencial para a nossa independência. Por isso, defendemos pensões de sobrevivência e um rendimento mínimo para todas as mulheres. Exigimos que o cuidado-trabalho não pago e feito pelas mulheres (cuidar dos filhos, tarefas domésticas, cuidar dos idosos, etc.) seja considerado trabalho e seja levado em conta como tal nas considerações políticas. Lutamos também pela distribuição igual do trabalho doméstico e do cuidado entre mulheres e homens

Lutamos contra todos os ataques ao nosso direitos de auto-determinação e exigimos o direito a decidir, se, quando e quantos filhos queremos dar à luz e educar. A ofensiva contra o direito a escolher é uma das agressões dos fascistas e um instrumento de subjugação das mulheres. As atividades dos auto-proclamados pró-“vida” para quem as “vidas” dos fetos e embriões são mais importantes que a nossa saúde devem ser parados e os seus recursos devem ser cortados. Defendemos o aborto legal e seguro a pedido da mulher, porque as mulheres não podem continuar a morrer durante ou na sequência de abortos ilegais, nem na Europa nem em lugar nenhum do mundo. Assim e por milhares de outras razões, lutamos contra cada patriarcado religioso, porque tenta limitar a liberdade das mulheres. Lutamos contra escolas confessionais de todas as religiões e a inclusão da religião nos currículos académicos. Defendemos o secularismo enquanto valor e como um espaço público de ética secular.

Exigimos uma lei de responsabilidades parentais que não nos obrigue a ter contacto com os pais dos nossos filhos se tivermos razões legítimas para recusar este contacto.

Lutamos contra o emergência de organizações fascistas e de extrema-direita, particularmente significativa em tempos de crise, e exigimos que as suas atividades sejam proibidas. São um perigo para a democracia.

Exigimos a desmilitarização à escala global e o desarmamento de todos os governos masculinos e gangues. Exigimos que todos os orçamentos militares sejam dissolvidos e substituídos por orçamentos com fins sociais, educativos e ecológicos.

Queremos que todos os recursos e meios disponíveis sejam distribuídos equitativamente entre os sexos e as diferentes regiões do mundo.

Lutamos por uma Europa socialista e feminista, com justiça social e de género.

A EL-Fem é uma rede feminista do partido da Esquerda Europeia constituída por mulheres organizadas em partidos e outras organizações. Enquanto comunistas e socialistas somos também feministas, enquanto feministas somos também de Esquerda. Para nós a luta pela mudança social está ligada à luta pelos direitos das mulheres e o reconhecimento das especificidades da nossa situação e das nossas vidas enquanto mulheres.

Documento de EL-Fem difundido a 8 de Março de 2013

Tradução de Ana Cansado

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