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"A dignidade política devia levá-lo a ouvir o povo: demita-se"

No debate quinzenal, o coordenador do Bloco João Semedo afirmou que "a dignidade política do exercício das funções no primeiro ministro devia levá-lo a ouvir a voz dos portugueses". "Senhor primeiro-ministro: demita-se! Não tenha medo das eleições. Deixe a democracia resolver os problemas do país a que o seu governo não sabe responder”, avançou o deputado bloquista.

O dirigente do Bloco de Esquerda acusou, esta quarta feira, Pedro Passos Coelho de, na sua intervenção inicial durante o debate parlamentar, “não ter tido uma palavra sobre o desemprego e os desempregados”, sublinhando que, na realidade, "há um ano e meio, que o seu governo não tem uma só medida que não seja cortar no subsídio de desemprego e cortar no número de desempregados que recebe esse subsídio”.

João Semedo afirmou ainda ser “chocante” que “o primeiro ministro considere que dar mais 2, 4, 7 ou 9 cêntimos por dia, no máximo, a umas centenas de milhares de pensionistas da pensão mínima seja atualizar as pensões”.

No que respeita a “encontrar uma solução para os juros e para a dívida, que não seja, naturalmente, a insistência na austeridade, no desemprego e na recessão”, Pedro Passos Coelhos anunciou, segundo o dirigente bloquista, “uma mão cheia de nada”, já que o prolongamento do prazo de pagamento da dívida “não é solução suficiente”.

Segundo o deputado do Bloco de Esquerda, “se não se reduzem as taxas de juros e o valor em dívida”, o empréstimo custará mais dinheiro ao país.

“Que contas fez o governo de quanto vai custar ao país esse prolongamento?”, questionou o coordenador do Bloco.

Bancos têm ganho muitos milhares de milhões com a dívida

João Semedo frisou também que, ao contrário do que diz Passos Coelho, “os parceiros internacionais não são amigos de Portugal. São amigos dos seus bancos centrais, dos seus bancos particulares, que, esses sim, têm ganho muitos milhares de milhões com a especulação sobre a dívida pública dos cinco países que estão em maior dificuldade”.

“Não é surpresa que o senhor não veja na banca internacional e na especulação financeira internacional os responsáveis pela crise que o país atravessa, a Europa e, de certa forma, também, o mundo. Todos nós já percebemos que, para o primeiro ministro, os responsáveis são os portugueses e outros que viveram acima das suas possibilidades”, avançou.

O dirigente bloquista lembrou que “enquanto a dívida continua a aumentar, o que também continua a aumentar são os lucros dos bancos centrais e os lucros dos grandes bancos europeus com a compra da dívida da Espanha, Itália, Portugal, Grécia e Irlanda”.

Instalou-se no país uma “espécie de apagão”

“Há dez dias que se instalou no país uma espécie de apagão. Não se ouve o governo, não se ouve a troika, é como se não existissem. O que contrasta, aliás, e de forma muito flagrante, com a força com que se ouviu a voz dos portugueses no passado sábado”, adiantou João Semedo, sublinhando que, “na realidade, isto resulta do facto de, quer o governo, quer a troika, terem medo de dizer aos portugueses o que estão a negociar”.

“Mas o sr. ministro pode ter medo, mas tem a responsabilidade de dizer ao parlamento e ao país o que está a discutir e a negociar com a troika”, frisou.

“Senhor primeiro-ministro: demita-se!”

Durante a sua intervenção, o dirigente do Bloco de Esquerda fez ainda referência ao “caricato das palavras de Pedro Passos Coelho”: “O objetivo do governo é 'desendividar' o país, mas a dívida pública está a crescer todos os meses. O senhor quer melhor caricatura do falhanço da sua política do que esta realidade?”, interpelou.

João Semedo lembrou também as contradições do governo, que anunciou, “em 2011, a recuperação para 2012, em 2012, anunciou que seria em 2013, em 2013, parece que será em 2014, mas nenhum ministro, nem o primeiro ministro, diz isso com muito confiança”.

“O senhor tem que entender que o povo está farto de si, da sua política e do seu governo. Foi isso que, com muita clareza, ouvimos todos, de Norte a Sul de Portugal, no passado sábado. A dignidade política no exercício das funções que tem devia levá-lo a ouvir a voz dos portugueses. Senhor primeiro-ministro: demita-se! Não tenha medo das eleições. Deixe a democracia resolver os problemas do país a que o seu governo não sabe responder”, rematou.

João Semedo vs. Passos Coelho: "A dignidade política devia leva-lo a ouvir o povo: demita-se"

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