Morreu Hugo Chávez

05 de March 2013 - 23:12

Anúncio foi feito pelo vice-presidente Nicolás Maduro. Presidente venezuelano não resisitiu à quarta cirurgia ao cancro diagnosticado em 2011. Era um dos políticos mais influentes da América Latina das últimas décadas, que venceu todas as eleições a que se candidatou.

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"Os que morrem pela vida não podem chamar-se de mortos”, disse o vice-presidente

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, faleceu na noite desta terça feira aos 58 anos de idade, em Caracas. O anúncio foi feito pelo vice-presidente Nicolás Maduro. A morte ocorre quase três meses depois de ter sido submetido a uma quarta cirurgia para tentar controlar o cancro que fora diagnosticado em 2011.

Maduro disse que Chávez faleceu “depois de lutar duramente contra uma doença durante quase dois anos, pelo amor ao povo, com a bênção dos povos e com a lealdade mais absoluta dos seus companheiros e companheiras de luta”.

O vice-presidente anunciou que ordenou a mobilização das forças militares e policiais nas ruas “para proteger a paz do povo venezuelano”.

Chávez era um dos políticos mais influentes da América Latina das últimas décadas, que venceu todas as eleições a que se candidatou. A doença, porém, impediu-o de tomar posse depois da última vitória eleitoral, realizada em 7 de outubro do ano passado. A posse, que deveria ter ocorrido em 10 de janeiro, nunca ocorreu diante da impossibilidade física de Chávez se fazer presente, já que nessa data estava a convalescer em Cuba, onde fora submetido à cirurgia.

O vice-presidente apelou ao povo que se concentrasse diante do hospital militar de Caracas e nas praças Bolívar de todas as cidades. “Levemos cânticos de homenagem, de honra. Os que morrem pela vida não podem chamar-se de mortos”.

Maduro pediu também aos adversários do líder da Revolução Bolivariana que respeitem este "difícil momento”, respeitando a dor do povo, e fez um apelo à paz.

A sucessão

Segundo prevê o artigo 233º da constituição venezuelana, em caso de morte de um presidente eleito que não tenha tomado posse haverá lugar a uma nova eleição "universal, direta e secreta" no prazo de 30 dias.

"Quando se produza a falta absoluta do Presidente eleito ou Presidenta eleita antes de tomar posse, se procederá uma nova eleição universal, direta e secreta dentros dos 30 dias consecutivos seguintes", estipula. Antes, entre as situações de "falta absoluta" está classificada a morte de um mandatário eleito.

"Está muito claramente estabelecido o que se deve fazer. Agora que aconteceu uma falta absoluta, assume o vice-presidente da República como presidente, convocando eleições nos próximos 30 dias. É esse o mandato que nos deu 'El Comandante' no passado dia 8 de dezembro. Pediu aos bolivarianos que acompanhassem Maduro e é isso que vamos fazer", adiantou Elias Jaua, ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, citado pelo jornal venezuelano 'El Universal'. Segundo avançou ainda Elias Jaua, Maduro será o candidato às próximas eleições presidenciais.

A oposição reivindica, entretanto, que se respeite a Constituição, defendendo que quem deve assumir interinamente o poder é o presidente da Assembleia Nacional do país, Diosdado Cabello, vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) - partido de Chávez.