Rita Gorgulho

Rita Gorgulho

Designer e professora

Neste 5 de outubro, Dia do Professor, escolho falar dos invisíveis — porque somos bem reais, somos muitos milhares nas escolas de todo o país, e os alunos sabem que podem contar connosco todos os dias, porque somos professores e é só isso que queremos ser.

Porque é que os colegas do ensino profissional são transparentes para a tutela? A escola inclusiva é obrigatória se queremos uma sociedade em toda a gente pode ter voz. Sr. Ministro, não discrimine os professores que a tornam possível.

Este ano, o problema das turmas em casa por períodos mais ou menos longos parece o elefante branco no meio da sala, de que ninguém quer falar.

Ano após ano chegam-nos as listas dos rankings e, ano após ano, as mesmas escolas ocupam os mesmos lugares.

Chegou a hora de transformar radicalmente a escolaridade obrigatória, tornando-a acessível e motivadora para toda a população escolar. Podemos começar por acabar de vez com os exames e tornar o acesso ao ensino superior independente deste mecanismo.

Não podemos confundir o bom desempenho de alguns com o bom desempenho da escola.

A retenção ou não de alunos não é assunto consensual na comunidade educativa, e diretores, professores e pais têm posições diferentes, mesmo entre si.

É óbvio que todos os pais querem o melhor para os filhos. Aliás, foi apostando nessa senda de que o que interessa, no fundo, é “o melhor para os meus” que se criou um mito chamado “liberdade de escolha”.

O efeito mais perverso dos exames é alterarem toda a dinâmica educativa dentro e fora das salas de aula.

O Crato já lá vai — e já foi tarde. Mas, agora que esse pesadelo acabou, é preciso apagar o rasto de destruição destes 4 anos de retrocesso, abrir as janelas para sair o bafio, e reconstruir a escola.