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Eurodeputados exigem libertação das vítimas de julgamento "ilegal" em Marrocos

Mais de 70 deputados de vários grupos políticos do Parlamento Europeu, incluindo Marisa Matias e Alda Sousa, exigem a libertação dos presos marroquinos do processo de "Gdeim Izik", que consideram vítimas de um julgamento "injusto, ilegal, sem garantias e politicamente motivado".

Uma delegação do Parlamento Europeu esteve presente no julgamento e a carta agora divulgada exigindo a libertação dos detidos baseia-se na maneira como decorreu o processo. A delegação elaborou igualmente um relatório sobre as circunstâncias em que funcionou o tribunal, que condenou nove dos detidos a prisão perpétua.

O julgamento foi "uma farsa", qualifica o eurodeputado espanhol Willy Meier, membro do grupo da Esquerda Unitária (GUE/NGL), eleito pela Esquerda Unida. De acordo com o deputado, que assistiu ao processo, o julgamento teve como objetivo travar os esforços do povo saaraui na luta pela autodeterminação.

"O tribunal militar ditou em 17 de Fevereiro último a sentença ao cabo de um julgamento encenado para tentar combater a resistência popular saaraui contra a ocupação do Saara Ocidental, o único território africano que aguarda pela descolonização sob os auspícios das Nações Unidas", declarou Willy Meyer. Dos resistentes saarauis submetidos a julgamento, 23 receberam penas superiores a 20 anos de prisão, incluindo prisão perpétua.

"Foi um claro julgamento político, com declarações procurando intimidar" os que lutam pela libertação do território. Os detidos foram capturados em 2010, na sequência do massacre cometido pelas tropas marroquinas de ocupação contra o acampamento de "Gdeim Izik", nos arredores da cidade de El Ayun, no Saara Ocidental. O campo foi desmantelado pelos militares marroquinos, uma ação condenada a nível internacional e também pelo Parlamento Europeu.

"A comunidade internacional continua complacente para com o regime do rei Mohamed VI, enquanto prosseguem a ocupação e a apropriação dos recursos naturais do Saara Ocidental", declarou Willy Meyer.

Numa posição assumida sobre a situação, o GUE/NGL reafirma a sua condenação do julgamento e o apoio "à causa legítima do povo saaraui, de modo a que Marrocos cumpra as determinações da Carta das Nações Unidas e aceite o direito do povo saaraui à autodeterminação".

A carta com o pedido de libertação foi assinada por deputados da esmagadora maioria do espetro político, do Parlamento Europeu: Partido Popular Europeu (direita conservadora), Liberais, Verdes, Socialistas, Esquerda Unitária e eleitos sem filiação.


 

Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.

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