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Itália "derrotou solução de Bruxelas, mas ganharam os populismos"

O impasse político em Itália está a suscitar a habitual chantagem dos mercados financeiros, levando as bolsas a caírem a pique e os juros dos países periféricos do euro a disparar. Bruxelas diz que, independentemente do voto popular, a austeridade é para continuar. Para o Bloco, Itália "derrotou solução de Bruxelas, mas ganharam os populismos".
Com as urnas encerradas há quase dois dias, os italianos continuam sem saber qual será o próximo Governo, ou mesmo se vai chegar a existir algum. O cenário de novas eleições é um dos mais prováveis.

A incerteza sobre o futuro político de Itália, suscitou o nervosismo do costume nos mercados financeiros, com fortes quedas nas principais bolsas europeias. Em menos de 24 horas, os principais índices bolsistas perderam 60 mil milhões de euros e o tesouro italiano foi obrigado a pagar quase o dobro em juros, comparado com o que tinha pago na última emissão de dívida

O Tesouro italiano teve que pagar quase o dobro em juros, na emissão de curto prazo que teve lugar esta terça-feira, do que o valor registado na anterior venda de bilhetes do Tesouro. Os principais jornais internacionais recomeçaram a falar no regresso da crise do euro e da dívida.

Quem parece indiferente ao desenlace político do último ato eleitoral, e ao crescimento do populismo político em Itália, é a Comissão Europeia. Recusando-se a retirar qualquer ilação sobre a derrota estrondosa do candidato “oficial” de Berlim - o ex-primeiro-ministro Mario Monti, nomeado de acordo com as preferências politicas de Merkel -, o comissário europeu para os Assuntos Económicos, Olli Rehn, diz que a austeridade em Itália é para continuar.

“É preciso parar a chantagem dos mercados”

“Depois de um ano e meio de um governo que não foi eleito, o que se vê em Itália é que subiu o populismo e o candidato tecnocrata, imposto por Bruxelas, teve uma derrota estrondosa. A população não só derrotou a solução de Bruxelas, como a democracia perdeu porque ganharam os populismos", declarou Catarina Martins, a propósito do cenário político saída das eleições que tiveram lugar este domingo e segunda-feira em Itália.

A deputada do Bloco considera que, antes de mais, o resultado em Itália mostra a necessidade absoluta da Europa mudar de rumo e infletir a política de austeridade que tem destruído a economia e deixado os países nas mãos dos mercados financeiros. "As reações dos mercados às eleições em Itália são também preocupantes porque mostram que não suportam a democracia e querem chantageá-la. Mostram a necessidade absoluta de impor limites aos mercados, antes que os mercados acabem por destruir a Europa e a democracia", afirmou Catarina Martins

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