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Contas baralhadas em Itália

Itália foi a votos, mas os resultados são tão confusos que já se fala em novas eleições. O centro-esquerda ficou com a maioria no Parlamento, mas com o Senado nas mãos de Berlusconi o impasse parece instalado. Beppe Grillo, com 25% dos votos numa campanha “contra os políticos”, é o vencedor. Monti, o tecnocrata que governou Itália nos últimos 15 meses, o maior derrotado.

Depois de 15 meses de um governo tecnocrata, nomeado sem eleições, Itália foi a votos e a indefinição política parece (novamente) instalada. O Partido Democrático (centro esquerda) lidera a coligação mais votada para o Parlamento, e o Senado vai ficar maioritariamente nas mãos do partido de Berlusconi, mas o vencedor de umas eleições renhidas e fragmentadas é Beppe Grilo, o comediante que fundou um movimento quase unipessoal “contra os políticos”. Mario Monti, o primeiro-ministro tecnocrata cessante, ficou-se pelos 10% na primeira vez que se submeteu ao voto popular.

A mesma lei eleitoral (tendente a favorecer a formação de maiorias com um bónus para a coligação mais votada) que permitiu a um partido Democrático com 31% dos votos para o Parlamento ficar com 55% dos lugares, atribuiu a Berlusconi e à Liga do Norte o maior número de senadores - pese embora a coligação de centro-esquerda ter sido a mais votada.

O regresso das cinzas de Berlusconi levou a que nenhuma das coligações controle as duas câmaras e, sem maioria no Senado, parece impossível encontrar uma base estável para formar governo em Itália. Beppe Grilo, com 23,8% dos votos para o Parlamento e mais de 25% para o Senado, diz que é agora que a “honestidade entra na moda em Itália” e demonstra-se indisponível para qualquer acordo para formar ou suportar um futuro Governo: "Para nós não haverá soluções rápidas, os dois estão acabados".

Com um sem número de processos judiciais às costas, Berlusconi pegou novamente na força das suas televisões e correu o país a prometer devolver aos cidadãos o dinheiro dos impostos aumentados nos últimos meses. Há dois meses poucos vaticinavam grande futuro ao magnata que deixou o lugar de primeiro-ministro, envolto em escândalos económicos e sociais, mas 3 em cada 10 italianos voltou a dar-lhe o seu voto.  

Monti, o professor de finanças repescado à Goldman Sachs por Bruxelas para ocupar o lugar deixado vago por Berlusconi, foi o grande derrotado das eleições. O seu resultado torna-o dispensável e sem utilidade para o centro-esquerda ou para a coligação de direita.

Tsunami Grillo

O fenómeno das eleições, e o seu único verdadeiro vencedor, é Beppe Grilo. Este comediante genovês, que formou um movimento político em outubro de 2009, prometeu  um tsunami na campanha e os resultados parecem dar-lhe razão. Um em cada quatro italianos votou num candidato que baseia o seu programa numa campanha contra os políticos, que “devem pedir desculpa aos italianos”, e num rigoroso e inaudito controlo da sua imagem pública.

O “Movimento das 5 Estrelas” está registado comercialmente em nome de Beppe Grilo, nenhuma das organizações regionais ou outras figuras da direcção tem direito a expressar a sua opinião, e todos os que tentaram reunir diferente áreas geográficas do movimento acabaram expulsos do mesmo. O movimento começa e acaba no comediante, fazendo do futuro de um partido que elegeu mais de 200 representantes para o Parlamento e o Senado uma das maiores incógnitas destas eleições.

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