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Estudo aponta grande perda de gelo no Ártico

Investigadores da União Geofísica Americana (American Geophysical Union – AGU) afirmaram nesta quarta-feira (13) que o volume de gelo no Ártico caiu, entre 2003 e 2012, 36% no outono e 9% no inverno. Por Fabiano Ávila do Instituto CarbonoBrasil
Ártico, setembro de 2011 - Foto de Nasa/Flickr

Investigadores da União Geofísica Americana (American Geophysical Union – AGU) afirmaram nesta quarta-feira (13) que o volume de gelo no Ártico caiu, entre 2003 e 2012, 36% no outono e 9% no inverno.

Utilizando dados dos satélites CryoSat-2, da Agência Espacial Europeia, para os anos de 2010 a 2012, e do ICESat, da NASA, de 2003 a 2008, os cientistas afirmam ter conseguido mensurar a perda de gelo na região.

“Os dados revelam que o gelo marinho mais espesso desapareceu desde o norte da Gronelândia, passando pelo Arquipélago Canadiano, até ao nordeste de Svalbard” afirmou Katharine Giles, uma das autoras do estudo.

A descoberta confirma a tendência de declínio na presença de gelo no Ártico já apontado por outros trabalhos, incluindo o reconhecido PIOMAS (Pan-Arctic Ice-Ocean Modelling and Assimilation System).

Os investigadores destacam que não mediram a área ocupada pelo gelo e sim o seu volume. Dessa forma, os seus dados podem ser mais confiáveis do que os fornecidos anteriormente, uma vez que mostram que é real a perda de gelo e não que, por uma razão ou outra, o gelo deixou de se espalhar.

O CryoSat-2 mede o volume do gelo utilizando pulsos de micro-ondas, que refletem na superfície do gelo e na água, tornando possível para os cientistas calcularem o volume dos blocos de gelo depois de conhecerem a altura e o comprimento deles.

As informações conseguidas com esse satélite foram depois comparadas com três fontes independentes: aviões, medições manuais e com dados da NASA.

“Apesar de dois anos de dados do CryoSat-2 não indicarem uma mudança de longo prazo, a redução da espessura do gelo e do seu volume entre fevereiro e março de 2012, comparada com o mesmo período em 2011, pode ter contribuído para o recorde mínimo registado no outono de 2012”, afirmou Christian Haas, coordenador do estudo.

No dia 16 de setembro, imagens de satélite do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo (NSIDC) dos Estados Unidos mostraram que a capa de gelo do Ártico ficou com 3,42 milhões de km2, a menor extensão desde o início das medições, em 1979.

As consequências do degelo do Ártico são enormes e sentidas em diversas áreas.

Para o clima, o primeiro impacto previsto é o aumento de tempestades de inverno mais rigorosas no Hemisfério Norte, como a recente Nemo que assolou os Estados Unidos e o Canadá.

Para o ecossistema, o degelo representa a extinção de muitas espécies e mudanças em migrações que afetariam inclusive comunidades locais que dependem da caça e da pesca para sobreviver.

Para a economia, novas rotas comercias pelo Oceano Ártico estão a abrir-se e diversos países já as disputam. Também ficam mais acessíveis os recursos naturais da região, incluindo petróleo, e isso pode dar início a uma corrida pela ocupação de áreas que eram até então não eram tocadas.

Artigo de Fabiano Ávila do Instituto CarbonoBrasil

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