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A Frente Popular recusa a oferta do FMI

Em comunicado, a FP recorda que o povo tunisino, ao fazer a revolução, exprimiu a sua vontade de rejeição da política do FMI e do poder encarregado de a impor. Em alternativa propõe ao Fundo um debate público pela TV.
Hamma Hammami e Chokri Belaïd (assassinado no dia 7 de fevereiro de 2013), líderes da Frente Popular - Foto Amine Ghrabi/Flickr

A Frente Popular rejeita a oferta de um encontro privado com o FMI. Na verdade, o FMI impôs ao povo tunisino durante 23 anos, apoiando-se na ditadura de Ben Ali, uma política antissocial e antidemocrática que causou muitos danos (desemprego, pobreza, corrupção e ditadura…) Em contrapartida, a Frente Popular propõe ao FMI um encontro público em debate televisivo.

A Frente Popular recorda que o povo tunisino, ao fazer a revolução, exprimiu a sua vontade de rejeição dessa política e do poder encarregado de a impor. Assim como a sua vontade de acabar com tal política.

No entanto, ignorando claramente essa vontade expressa através da revolução, o FMI não só exige a continuação da mesma política, mas pretende dar-lhe ainda mais ênfase. Este é o significado do novo plano de austeridade e de recuperação da dívida externa (num ritmo nunca antes alcançado sob a ditadura), que acaba de ser assinado com o Governo da Troika. O último relatório do perito da ONU sobre a dívida condena a atuação dos credores como o FMI afirmando que "os credores não deveriam subordinar a concessão dos empréstimos ou medidas de alívio da dívida à implementação de políticas, nomeadamente as políticas de privatização, de securitização, de liberalização do comércio, de desregulamentação do investimento ou de liberalização do setor financeiro". O relatório também enfatiza que "os Estados credores e instituições financeiras internacionais não devem aproveitar a crise económica, financeira ou relacionada com a dívida externa para promover reformas estruturais nos Estados-devedores" ..

A Frente Popular não reconhece qualquer legitimidade ao FMI para continuar a decidir o destino do povo tunisino e considera o seu novo plano como uma contínua agressão contra o povo da Tunísia. A Frente Popular exige que o FMI cesse imediatamente todas as interferências e atos hostis contra o povo da Tunísia. E que o FMI devolva ao povo tunisino o que dele indevidamente recebeu como pagamento da dívida odiosa, de modo a que se constitua um fundo de desenvolvimento humano controlado pela população.

A Frente Popular aproveita a oportunidade para exigir que o governo da Troika cesse toda a colaboração com o FMI, que afeta os interesses vitais do povo tunisino. Que ponha fim a negociações secretas com o FMI, o Banco Mundial, a Comissão Europeia ou qualquer outra autoridade, visando interesses nacionais do povo da Tunísia.

Finalmente, a Frente Popular exige a suspensão imediata do pagamento da dívida, o congelamento de juros e uma auditoria da dívida tunisina. Essa auditoria deve envolver a sociedade civil e permitir que sejam entendidas as circunstâncias que envolvem a conclusão desses empréstimos, a sua aplicação, identificar as responsabilidades e determinar a parte odiosa: a que tem de ser incondicionalmente anulada.

2 de fevereiro de 2013

O porta-voz da Frente Popular, Hamma Hammami

Publicado pelo http://cadtm.org/Tunisie-Le-Front-Populaire-refuse

Tradução de Deolinda Peralta para o Esquerda.net

(...)

Neste dossier:

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