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Salário de Rajoy disparou em tempo de crise

O líder do Governo de Madrid publicou finalmente as declarações fiscais dos últimos dez anos. Não se esperava que elas trouxessem novidades ao caso de financiamento ilegal no PP, mas estão a causar surpresa pelo aumento do seu salário nos anos de crise em mais de 40%, na altura em que defendia publicamente a moderação salarial.
Aznar divulgou as declarações fiscais, que contradizem o seu discurso. Foto do Governo espanhol/Flickr

Segundo os dados revelados pelo El País, após sair do Governo de Aznar, em 2004 Rajoy compunha as suas finanças pessoais através da pensão para ex-ministros (62 mil euros/ano durante dois anos) e dos salário de deputado por Madrid (38 mil euros/ano) e do Partido Popular (136 mil euros/ano). A contribuição do PP foi variando ao longo dos anos: 144 mil em 2005, 148 mil em 2006, 157 mil em 2007, 186 mil em 2008, 196 mil em 2009, 181 mil em 2010 e 200 mil em 2011.

Ou seja, nos anos em que a crise financeira eclodiu e que coincide com a sua derrota eleitoral em 2008 contra Zapatero, Rajoy viu aumentado o seu salário partidário, que juntamente com o salário de deputado lhe permitiu viver na oposição com uma média de 240 mil euros anuais, sem contar com o "salário paralelo" calculado em 25 mil euros, a confirmarem-se as notas do contabilista do PP caído em desgraça, Luis Bárcenas.

Esta subida salarial em tempo de crise contrasta com o discurso de Rajoy na campanha de 2008, quando defendia a moderação salarial como solução para a economia recuperar. Num debate televisivo meses antes das eleições, disse aos espanhóis que tinha de ter atenção para a conta bancária ao fim do mês porque tinha "os mesmos problemas que os outros cidadãos". O que não disse é que na conta estavam 900 mil euros, divididos entre os 231 mil em depósitos e mais de 700 mil em ações e fundos de investimento.

Perguntado diretamente pela entrevistadora sobre o seu salário, Rajoy respondeu que ganhava 3 mil euros como deputado e mais 5 mil pelo PP, sem clarificar se eram valores brutos ou líquidos. Se as contas do salário de deputado estavam certas e eram fáceis de verificar, já o salário vindo do PP, a acreditar nas declarações agora publicadas pelo primeiro-ministro, eram mais do dobro do que disse em 2007.

Declaração fiscal contradiz a que foi entregue ao Congresso

Outro aspeto a destacar das declarações é que elas não coincidem com as outras declarações entregues ao Parlamento espanhol. Por exemplo, diz o El Pais, em 2010 Rajoy declarou 181 mil euros às finanças como salário do PP mas apenas 98 mil ao Congresso dos Deputados. Estas receitas são declaradas como despesas de representação para escapar às incompatibilidade do estatuto dos deputados, que exige exclusividade salvo autorização em contrário.

A publicação dos rendimentos do líder popular, embora seja prática corrente noutros países, foi apresentada como uma grande novidade pelo PP espanhol. Mas não tem nenhuma relação com os papéis do antigo contabilista, que ainda não ouviu uma única crítica pública de Mariano Rajoy. A única vez que o atual primeiro-ministro se pronunciou publicamente sobre o seu antigo tesoureiro foi em julho de 2009, para desmentir que estivesse a ser alvo de chantagem por parte de Bárcenas.

O PP continua a recusar a divulgação pública das suas contas, embora mais de 95% das receitas tenham origem nos cofres públicos. Enquanto isso, à medida que os nomes de dirigentes referidos nos papeis de Luis Bárcenas vão sendo descobertos, alguns vão confirmando terem recebido as quantias mencionadas, quase sempre em dinheiro vivo. 

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