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Ativista antidespejos suicida-se em Córdoba

Francisco Bretón, desempregado, tinha 36 anos e entregou a casa ao banco no ano passado. Meses depois, quando o banco lhe exigiu o pagamento de 22 mil euros, sentiu-se enganado e decidiu pôr termo à vida na sexta-feira, atirando-se pela janela de um quarto andar no apartamento que alugara.
Foto Daniel Torrejon/Flickr

Segundo o site publico.es, Francisco Bretón juntara-se à Plataforma "Stop Despejos" após uma tentativa de suicídio em frente à agência bancária que lhe tinha feito o empréstimo para os materiais de construção da casa. Na altura, estava desempregado e afogado em dívidas e não conseguia pagar as prestações do empréstimo. A Plataforma ajudou-o nos trâmites para fazer a dação em pagamento da casa e a alugar uma nova habitação.

A história complicou-se quando o banco, meses depois, lhe comunicou que teria de pagar a dívida em falta, calculada em 22 mil euros, quando Fernando entendia que a devolução da casa implicava a anulação das prestações em falta. Com a vida sequestrada pelas dívidas e a pressão do banco, o ativista não resistiu à pressão e acabou mesmo por suicidar-se.

"Não suportou a pressão criminosa dos que querem despejar o povo"

A plataforma "Stop Despejos" confirmou em comunicado que Fernando Bretón se encontrava num estado "vulnerável" e era acompanhado por um psicólogo. "Construiu a sua casa com as próprias mãos, mas pediu um empréstimo para os materiais (...) Quando chegou a crise, deixou de trabalhar e não pôde fazer frente à sua hipoteca", diz o comunicado. "Os banqueiros forçaram um acordo que foi cruel e impiedoso", diz a Plataforma, acrecentando que quando Fernando se juntou à luta organizada contra os despejos "já tinha entregue as chaves da sua casa e tinha assinado um acordo com o banco", o que se revelou "outra fraude". Os ativistas acabaram por se quotizar para conseguir juntar "um pequeno apoio" para Fernando alugar um apartamento.

A Plataforma convocou uma concentração para voltar a chamar a atenção para o sucedido e responsabiliza "o Governo que defende a ditadura do capital" e aqueles que "vêem a injustiça e não fazem nada". No ano passado, mais de 50 mil pessoas foram despejadas de suas casas em Espanha e a onda de suicídios obrigou o Governo a prometer uma moratória aos despejos no país.

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