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Bloco não vai permitir "muro de silêncio" sobre BPN

Um dia depois de se mostrar “chocado” com nomeação de Franquelim Alves, o CDS acaba por ser o partido a dar a cara pela escolha do Governo e a anunciar pretensão da maioria em impedir audição do ministro da economia. Bloco diz que irá levar "até às últimas consequências" a necessidade de ouvir o ministro.
Foto Paulete Matos

 "Levaremos até às últimas consequências a necessidade de ter o ministro na Assembleia da República a explicar aos deputados e ao país o que o motivou nesta escolha, nesta indicação de Franquelim Alves", declarou hoje o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares.

CDS e PSD anunciaram na noite de segunda-feira que vão tentar impedir a audição parlamentar com o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, a propósito da nomeação para secretário de Estado do antigo administrador da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), Franquelim Alves.

A audição, solicitada pelo Bloco de Esquerda, pretende confrontar o ministro com a nomeação de alguém que fez parte da SLN durante a gestão de Oliveira e Costa. Como foi ontem recordado por João Semedo - que foi o deputado do Bloco na comissão de inquérito ao BPN -, Franquelim Alves reconheceu nessa comissão ter tido conhecimento da irregularidade das contas mas nunca reportou a fraude ao Banco de Portugal.

Para Pedro Filipe Soares, o Governo "cometeu um erro enorme" com nomeação de alguém que tem no currículo a "passagem pela SLN e pelo BPN, e com conhecimento de algumas das ilegalidades que lá foram feitas, sem que tivesse tido uma ação, que era a que se exigia, de denúncia".

"Esta situação é absolutamente inacreditável, a maioria tenta criar uma muralha de silêncio para proteger o Governo das trapalhadas que vai fazendo, e com isso cria também uma muralha no acesso das pessoas à transparência necessária na condução do que são os destinos políticos do país", considerou o líder parlamentar do Bloco.

Entendendo que ainda há muito para esclarecer, e que a transparência numa escândalo financeiro que custou aos cidadãos mais de 4000 mil milhões de euros assim o exige, Pedro Filipe Soares garante o empenho do Bloco em ouvir o ministro da economia. "Tudo faremos, se for necessário recorreremos ao que é mais forte no ponto de vista do processo parlamentar, para ouvir o ministro da Economia”.

 

CDS: Polémica não passa de "ruído político"

Pelas bancadas que apoiam o Governo, a recusa da audição de Franquelim Alves surgiu pela voz do vice-presidente da bancada do CDS, Hélder Amaral. Poucos dias depois de dirigentes do partido de Paulo Portas terem feito constar à imprensa o seu incómodo pela nomeação do ex-administrador da SLN, afinal para o CDS esta polémica não passa "um ruído político normal do combate político em actos normais dos grupos parlamentares". 

O CDS entende agora que na decisão de nomear Franquelim Alves para o Governo pesou "seguramente o critério da competência da pessoa escolhida".  Por isso, "obviamente nós não iremos aprovar" a audição pedida pelo Bloco, afirmou Helder Amaral aos jornalistas.

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