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EUA: Morrem mais soldados pelas suas próprias mãos do que em combate

Em 2012, pela primeira vez em, pelo menos, uma geração, o número de soldados americanos no ativo que se suicidou, 177, ultrapassou os 176 soldados que foram mortos em zonas de combate, noticia o Guardian. A cada 80 minutos suicidou-se um ex-militar americano.
Foto de marsmet521/flickr

Tendo em conta todos os ramos do serviço militar norte americano, e as reservas, registaram-se 349 suicídios em 2012, contra 295 mortes em combate. Já no que respeita aos veteranos, registou-se um número impressionante de 6.500 suicídios, o equivalente a cerca de um suicídio em cada 80 minutos.

Para William Nash, um psiquiatra da Marinha já reformado, que esteve colocado em Fallujah, no Iraque, em 2004, e que é citado pelo Guardian, as tendências suicidárias entre soldados que já estiveram em situação de combate é muito comum.

Nash e os seus colegas desenvolveram o conceito de “dano moral”, que definem como “dano nas crenças mais enraizadas acerca do que é certo ou errado”. Segundo este psiquiatra, o “dano moral” pode ser “causado por algo que a pessoa fez ou não conseguiu fazer, ou por alguma coisa que lhe foi feita – mas, de qualquer forma, desencadeia o sentimento de incerteza moral”.

Não será o medo e o terror a que os elementos no ativo estão sujeitos no campo de batalha que inflige maiores danos psicológicos, conforme adianta William Nash. A morte de um membro da sua equipa, principalmente na sequência de um incidente de “fogo amigável”, a morte de civis, particularmente mulheres e crianças, em consequência de um ataque militar, ou a dispensa da vida militar são as principais causas destes danos.

No artigo publicado no Guardian, e assinado por Ed Pilkington, é apresentado o exemplo do soldado William Busbee que, em 2011, tentou suicidar-se após ter regressado da sua terceira missão no Afeganistão. Busbee recebeu um ultimato por parte do exército, no sentido de se reformar, caso contrário seria dispensado por razões médicas. Em 2012, este soldado acabou por, efectivamente, por termo à sua vida.

O mais recente relatório sobre suicídio entre militares (DOBSER) do departamento da Defesa, referente a 2011, aponta que 47% dos suicídios envolveram elementos que estiveram no Afeganistão e/ou no Iraque. 10% dos suicídios ocorreram durante o destacamento em zona de combate. Apenas 15% dos suicídios abrangeram elementos com experiência direta de combate.

O DOBSER relativo a 2012 ainda não foi divulgado, contudo, Phillip Carter, especialista militar do Centro de Defesa para uma Nova Segurança Americana, adianta que a percentagem de suicídios entre soldados com vários destacamentos em zonas de combate vai aumentar drasticamente

O aumento do número de suicídios decorrente do impacto dos danos psicológicos causados pela participação na guerra do Afeganistão irá prolongar-se por, pelo menos, uma década, alertam os peritos.

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