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Putin volta à Presidência da Rússia

Presidente entre 2000 e 2007, primeiro-ministro entre 2007 e 2012, voltou à Presidência em 2012 afirmando que as eleições foram limpas, e enfrentando muita contestação da oposição. Mas a mais ruidosa oposição viria de um grupo punk-rock feminista, as Pussy Riot.
Nadezhda Tolokonnikova: “o sistema repressivo de Putin está a colapsar... lembra muito as sociedades primitivas ou os regimes ditatoriais do passado". Foto EPA/SERGEI CHIRIKOV.

Em 4 de março, o então primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, ganhou as eleições presidenciais com 63% dos votos, afirmando ter vencido de forma ''aberta e honesta''.

Grupos de oposição afirmam, porém, que o processo foi marcado por fraudes generalizadas e convocaram protestos contra o resultado. O segundo colocado, o comunista Gennady Zyugannov, que ficou com 17,9% dos votos, qualificou a eleição como ''injusta e indigna''.

Oficial do KGB por 16 anos, diretor do Serviço Nacional de Segurança da Federação Russa, reorganizador desta entidade, Putin só deixou os serviços de segurança para assumir a chefia do governo sob a presidência de Bóris Iéltsin. Chegou à Presidência como interino quando Iéltsin renunciou, e foi eleito presidente da República russa pela primeira vez em 2000, nunca mais deixando de controlar o país com mão de ferro. Reeleito em 2004, em 2007 indicou o seu sucessor, Dmitri Medvedev, já que a Constituição o impedia de se candidatar a um novo mandato. Medvedev nomeou-o primeiro-ministro e em 2012 Putin candidatou-se de novo à Presidência.

À sua vitória sucedeu-se um braço de ferro com a oposição, que organizou numerosos protestos. Putin reagiu desenterrando a linguagem da Guerra Fria, acusando os Estados Unidos de terem estimulado os protestos no país depois das eleições e de ter gasto centenas de milhões de dólares para financiar campanhas de opositores.

Mãe de Deus, manda o Putin embora!”

Vencida essa guerra, Putin deparou-se depois com uma inesperada contestação: a de um coletivo punk-rock feminista de Moscovo, as Pussy Riot. Em 21 de fevereiro, o grupo fez uma performance na catedral do Cristo Salvador de Moscovo que foi interrompida pelos seguranças da igreja. A ação transformou-se num vídeo intitulado “Oração Punk – Mãe de Deus, manda o Putin embora!”, apresentado como uma denúncia contra o apoio do patriarca da Igreja Ortodoxa a Putin.

Seguiu-se uma onda repressiva contra as raparigas do grupo. Duas, Nadezhda Tolokonnikova e Maria Alyokhina, foram presas no dia 3 de março, e uma terceira, Yekaterina Samutsevich, seria detida mais tarde, no dia 16.

As detenções geraram uma onda de contestação a nível mundial, com várias personalidades do setor musical, como Paul McCartney, Yoko Ono, Björk, Sting, os Red Hot Chilli Peppers, Madonna, Ad-Rock, dos Beastie Boys, os Faith No More, entre outras, a expressarem o seu apoio às três intérpretes das Pussy Riots e a reivindicarem liberdade de expressão.

A 17 de agosto, as três integrantes do grupo foram condenadas a dois anos de prisão por “hooliganismo motivado por ódio religioso”.

Em setembro, Nadezhda Tolokonnikova foi entrevistada pela revista alemã Spiegel e afirmou que não se arrependia de ter participado na iniciativa anti Putin. “Em última análise, penso que o nosso julgamento foi importante porque mostrou a verdadeira face do sistema de Putin”, adiantou Tolokonnikova. "Este sistema proferiu uma sentença contra si mesmo, ao condenar-nos a dois anos de prisão sem que tivéssemos cometido crime algum. Isto certamente me alegra”, frisou.

A rapariga considerada a líder do grupo sublinhou ainda que “o sistema repressivo de Putin está a colapsar”, já que o mesmo “não pertence ao século XXI, lembra muito as sociedades primitivas ou os regimes ditatoriais do passado".

Em 10 de outubro, na sequência de um apelo, Yekaterina Samutsevich foi libertada condicionalmente, e teve a sentença suspensa. Mas Alyokhina e Tolokonnikova foram separadas e enviadas para campos de trabalho.

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