You are here

VIII Convenção do Bloco: “Vencer a troika”

Realizou-se em novembro de 2012 a VIII Convenção do Bloco que elegeu João Semedo e Catarina Martins como seus coordenadores. A Convenção definiu como primeira prioridade demitir o governo e lutar por um Governo de Esquerda. A mesa nacional eleita na convenção elegeu uma nova comissão política e o grupo parlamentar elegeu por unanimidade Pedro Filipe Soares e Cecília Honório presidente e vice-presidente do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda.

Em 2012, o Bloco de Esquerda realizou a sua VIII Convenção, que deu lugar a uma importante renovação da direção partidária e elegeu pela primeira vez uma coordenação paritária.

A VIII Convenção teve como lema “Vencer a troika” e na sessão de encerramento a coordenadora Catarina Martins apontou como primeira prioridade do Bloco de Esquerda “demitir este governo”. A coordenadora lembrou o “tempo difícil” que se vivia em 2011, “quando já se sabia que a austeridade era o caminho da destruição, quando Passos Coelho ia dizendo que não era ainda tempo de ir ao pote, quando os banqueiros foram à televisão exigir o resgate”. “E bem sabemos que os únicos ajudados foram os donos dos bancos”, lembrou apontando o resultado: “mais 200 mil pessoas sem emprego, jovens, sem lugar no seu país”, “a economia parada, uma dívida que não para de crescer”.

O coordenador João Semedo, também na sessão de encerramento da VIII Convenção, acusou o governo de levar o país à destruição e ao abismo, “por um ajuste de contas da direita com o mundo do trabalho e o estado social”, com o argumento e o “insulto de que neste país de salários mínimos todos vivemos acima das nossas possibilidades”. “Acima das nossas possibilidades são os juros que pagamos e que destroem o país”, respondeu João Semedo, lembrando uma longa lista, das privatizações ao financiamento público, da destruição dos serviços públicos. O coordenador defendeu a urgência de parar o programa suicidário da direita, afirmando “temos de defender o país deste Governo” e defendendo o derrube do gabinete de Passos Coelho e a construção de uma alternativa de esquerda. Sobre o Bloco, João Semedo lembrou tanta coisa que mudou no país nos 13 anos de vida do partido, em particular as coisas que mudaram porque o Bloco existiu, como a participação das mulheres na política devido à lei da paridade, o casamento de homossexuais, a criminalização do enriquecimento ilícito, o tratamento dos toxicodependentes como doentes e não como criminosos, a legalização da interrupção voluntária da gravidez. “Não fizemos tudo sozinhos, mas estávamos lá e fomos à luta e ganhámos, como continuaremos a ganhar!”, declarou. João Semedo prestou ainda homenagem a todos os bloquistas, mas em especial aos quatro primeiros fundadores e dirigentes, Miguel Portas, Fernando Rosas, Luís Fazenda e Francisco Louçã, sublinhando que não é uma despedida, porque, à exceção do Miguel, que já não está entre nós, todos os outros “estão aqui e é neste Bloco que passa a luta deles”. (ver artigo neste dossier)

Na VIII Convenção do Bloco de Esquerda estiveram em debate, intenso e fraternal, duas moções, tendo a moção A eleito 61 pessoas para a nova mesa nacional, enquanto a moção B elegeu 19 pessoas. Para a Comissão de Direitos, a moção A obteve 5 mandatos e a B 2 mandatos.

A VIII Convenção do Bloco de Esquerda foi antecedida por um comício internacionalista com representantes do Die Linke da Alemanha, do Parti de Gauche da França, da Syriza da Grécia e da Izquierda Unida de Espanha. Nesse comício, Francisco Louçã destacou que as esquerdas europeias estão unidas e prontas para lutar contra o terrorismo financeiro” e declarou: “Há uma esquerda na Europa!”

Após a VIII Convenção, a 6 de dezembro de 2012, o coordenador do Bloco João Semedo anunciou publicamente que, por proposta da comissão política do partido Pedro Filipe Soares e Cecília Honório foram eleitos por unanimidade presidente e vice-presidente do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda.

Antes da VIII Convenção, o Bloco de Esquerda apresentou 6 medidas fundamentais para salvar a economia. O Bloco denunciou então que o OE para 2013, “representa o maior aumento de impostos da história portuguesa” e que no fim de 2013, “ultrapassando os 20% de desemprego real, estaremos mais pobres para estarmos mais endividados e com níveis de emigração que recordam os dos anos sessenta do século passado”. As seis medidas constituem um caminho alternativo ao desastroso orçamento de Estado para 2013, visando salvar a economia e criar emprego.

(...)

Resto dossier

2012: Ano I do combate à troika

Em 2012, o governo PSD/CDS-PP cortou nos salários, nas pensões e nas prestações sociais e aumentou o preço de bens e serviços. Ao mesmo tempo, o executivo encheu os cofres dos bancos e distribuiu nomeações e benesses pelos seus 'boys'. Nas ruas, a mobilização contra a política de austeridade tornou-se ainda mais ampla e massiva. Dossier organizado por Carlos Santos e Mariana Carneiro.

O país empobreceu

A suspensão dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e pensionistas e o aumento do IVA, através da passagem de vários bens e serviços para a taxa de 23%, marcaram o ano 2012 em matéria de austeridade.

PSD e CDS distribuem nomeações e negócios pelos seus 'boys'

Em 2012, PSD e CDS-PP, que condenavam o “clientelismo partidário no Estado" demonstraram, mais uma vez, não ter qualquer pudor em rasgar os seus compromissos eleitorais, distribuindo nomeações e benesses pelos seus 'boys'. Os escândalos associados a Miguel Relvas foram ainda reflexo da promiscuidade existente entre políticos, negócios e interesses privados.

Em 2012 houve quem lucrasse com a crise

Em 2012 o país ficou mais pobre. A austeridade ditou cortes nos salários, nas pensões e nas prestações sociais, contudo, houve quem lucrasse com a crise. Os bancos engordaram os seus cofres, o governo distribuiu salários milionários, privilégios e imunidades e as privatizações constituíram negócios de ouro para os privados.

O país paralisou contra a austeridade

Mediante o agravamento das medidas de austeridade e a consequente deterioração das condições de vida, 2012 foi marcado por uma forte contestação social, que resultou em várias manifestações nacionais e duas greves gerais, o que não acontecia desde 1982.

A maior manifestação desde o 1º de Maio de 74

No dia 15 de setembro de 2012 teve lugar a manifestação “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!”, que juntou um milhão de pessoas em mais de 30 cidades, tornando-se na maior ação popular que se viveu em Portugal desde o 1º de Maio de 1974. Foi o ponto alto de um novo tipo de mobilizações que têm surgido no nosso país, na luta contra a política de austeridade.

Novos atores na luta contra a troika

Na luta contra a política de austeridade e a troika, têm vindo a surgir novos movimentos e organizações que assumem papel no combate e na busca de políticas alternativas. No final de 2011, surgiu a Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida. Este ano, o Congresso Democrático das Alternativas e o nascimento de um novo movimento de reformados (Apre!) são exemplos de novos atores, mas não são únicos.

VIII Convenção do Bloco: “Vencer a troika”

Realizou-se em novembro de 2012 a VIII Convenção do Bloco que elegeu João Semedo e Catarina Martins como seus coordenadores. A Convenção definiu como primeira prioridade demitir o governo e lutar por um Governo de Esquerda. A mesa nacional eleita na convenção elegeu uma nova comissão política e o grupo parlamentar elegeu por unanimidade Pedro Filipe Soares e Cecília Honório presidente e vice-presidente do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda.

Miguel Portas (1958-2012)

O eurodeputado e dirigente bloquista Miguel Portas faleceu no dia 24 de abril, na véspera do dia comemorativo da revolução que ajudou a construir. A sua morte gerou uma onda de consternação que atravessou todos os quadrantes políticos.

OE'2013: o verdadeiro saque fiscal

O Orçamento do Estado para 2013 é um verdadeiro saque fiscal que penaliza os rendimentos mais baixos e que repete e agudiza os erros já cometidos no anterior Orçamento, que ditaram, inclusive, a sua inconstitucionalidade. A política de austeridade motivou a apresentação de moções de censura por parte do Bloco de Esquerda e do PCP.