Luís Monteiro

Luís Monteiro

Museólogo. Investigador no Centro de Estudos Transdisciplinares “Cultura, Espaço e Memória”, Universidade do Porto

É preciso dizer que falta um museu, há tanto reivindicado, há tanto esperado. Trata-se do Museu da Resistência e da Liberdade no Porto. Ainda vamos a tempo de garantir que o único edifício da PIDE ainda nas mãos do Estado se transforma num espaço de memória antifascista.

Na semana passada, várias faculdades portuguesas foram ocupadas por estudantes. A causa palestiniana inundou a academia. A agitação social dos últimos dias está aí (e recomenda-se), apesar de um silêncio ensurdecedor por parte dos órgãos das universidades e de muitos dos comentadores da nossa praça.

A política mudou e, com isso, a forma de a fazer. A habilidade para formar avenidas nos atuais becos sem saída dependerá de uma geração antifascista 2.0. Novas sínteses para avermelhar programas socialmente mais amplos.

A plataforma de discussão Universidade Comum quer aproveitar este momento político para lançar um desafio à próxima legislatura.

50 anos após o fim da Ditadura, os desafios da sociedade portuguesa são imensos. Mas há um pilar que, quanto mais deteriorado for, mais difícil se torna imaginar um projeto coletivo para o futuro. Igualdade perante a lei.

Na Universidade do Porto, premeia-se com 2000€ estudantes que apresentem a sua tese em 3 minutos. Mas também se premeia quem a terminar. O prémio, nesse caso, são 500€ de taxa que o estudante é obrigado a pagar para a poder defender.

Qual a pertinência de uma universidade como a Universidade do Porto alienar património histórico no centro da cidade do Porto, com capacidade suficiente para albergar uma residência estudantil ou um conjunto de outros serviços dedicados à melhoria das condições de estudo da sua comunidade académica?

António Costa anunciou a devolução das propinas no Ensino Superior, mas as suas palavras não passam de marketing eleitoralista. O PS sempre rejeitou acabar com as propinas e continua a fazê-lo com maioria absoluta.

No concelho da Anadia, está em execução a reabilitação de um imóvel público para uma futura residência de estudantes. As duas universidades mais próximas (Aveiro e Coimbra) ficam a cerca de 30 Km. Não existe política de mobilidade que forneça transportes para deslocações diárias para as cidades.

Os anúncios aos festivais fazem crer que o verão de um jovem português é pautado por uma apoteose de diversão sem limites. Há uma realidade que escapa à publicidade: o verão dos jovens estudantes é marcado pelo desespero de não conseguir um quarto na cidade onde estará a estudar em setembro.