Sandra Cunha

Sandra Cunha

Feminista e ativista. Socióloga.

A preocupação, a desconfiança e o medo são agora a norma. Mas também o são a solidariedade, a entrega, a entreajuda, a coragem e o sentido de união. De repente, sentimentos e comportamentos tantas vezes tão antagónicos coexistem como duas faces da mesma moeda.

Apesar dos avanços significativos, persistem desigualdades estruturais e discriminações em várias esferas da vida que continuam a marcar o quotidiano das mulheres.

Basta ouvirmos a expressão “sexo frágil” para imediatamente pensarmos numa mulher ou num conjunto de mulheres. Acontece automaticamente. E nesta expressão subjaz, implícita, a ideia de que o outro sexo será o forte.

Perdeu-se uma oportunidade para se cumprir o superior interesse da criança e para lhes garantir a proteção devida. Perdeu-se também mais uma oportunidade para se cumprir a Convenção de Istambul.

Hoje temos uma sociedade mais aberta, mais inclusiva e mais respeitadora dos Direitos Humanos. Mas a realidade prova-nos que não estamos ainda livres do preconceito e da homofobia.

Apresentação de dois projetos de lei, um que possibilita a aplicação de imposição de condutas, quando há indícios da prática do crime de perseguição, e de outro que protege as crianças que testemunhem crimes de violência doméstica.

Os números são por si só aterradores. Mas o horror adensa-se quando sabemos como estes números escondem vidas inteiras de violência e sofrimento.

A mudança reclamada pelo movimento social não responde a agendas ideológicas nem a modas. Responde simplesmente ao imperativo da igualdade e da justiça.

Esta persistente naturalização da violência pelos tribunais é absolutamente inaceitável. Isto tem de ter um fim.

Entre 2011 e 2016, fomos o país da União Europeia em que o fosso salarial mais cresceu entre homens e mulheres.