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Faurecia: Trabalhadores acusam ex-empresa da SLN de concorrência desleal

A crise do setor automóvel não é a única responsável pelo maior despedimento coletivo do Parque Industrial da Autoeuropa, que afeta 92 trabalhadores da Faurecia. Houve favorecimento por parte do Estado, da banca e da Autoeuropa à concorrente SPPM, após Dias Loureiro a ter deixado na falência. "Mas agora ninguém nos salva a nós", queixa-se a Comissão de Trabalhadores.
Em julho de 2006, Dias Loureiro mostrava a Cavaco Silva e Oliveira e Costa a fábrica da Inapal em Palmela, enquanto acumulava prejuízos na vizinha SPPM.

"Há dez anos, a SPPM (Sociedade Portuguesa de Pintura de Módulos), que pertencia ao grupo da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) e BPN, conseguiu começar a fazer preços mais baixos do que os nossos, mas, ao fim de três anos, estava na falência, tendo sido salva por diversos bancos, pelo Estado português e pela Autoeuropa. Mas agora ninguém nos salva a nós", disse Daniel Bernardino à agência Lusa.

"Estamos a sofrer na pele uma concorrência desleal", acrescentou o coordenador da Comissão de Trabalhadores da Faurecia aos jornalistas, após o plenário desta terça-feira, pouco depois do anúncio do despedimento coletivo de 92 trabalhadores da empresa.

SPPM: Dias Loureiro levou-a à insolvência, a banca e o Estado limparam prejuízo 

Dias Loureiro presidiu à SPPM a partir do primeiro ano de existência da empresa que pintava as peças do Volkswagen Eos para a Autoeuropa. Apresentou a demissão no fim de 2007, poucas semanas após ter sido reconduzido na presidência da empresa, sem que fosse nomeado o sucessor.

Em entrevista ao Setúbal na Rede em dezembro de 2011, o diretor da SPPM nomeado pela Volkswagen diz que "algo aconteceu entre os parceiros e a empresa foi declarada insolvente, não tendo hipótese de continuar a laborar depois de maio de 2009". Foi a própria Autoeuropa a assumir a gestão da empresa, com prejuízos acumulados de 22 milhões de euros, para evitar paralisar quase completo a produção na empresa.

Miguel César acrescenta que foi então que existiu "um entendimento entre várias entidades, em que os acionistas da empresa passaram a ser a Inapal (que pertencia ao grupo SLN), a INOV Capital, entidade financeira do Estado, o BES, o BCP e o Banco Popular". O ministro Manuel Pinho foi o responsável pelo plano que converteu os 22 milhões de dívida em capital destes acionistas.

Já com o atual Governo, em novembro de 2011, a Inapal - detentora de 32,5% da SPPM - foi adquirida pelo Fundo de Recuperação ECS Capital, que é detido maioritariamente pelo BES, BCP, BPI, Santander, Banif e ECS. Segundo notícias então publicadas no Diário Económico, a Caixa Geral de Depósitos detém 20% do Fundo e o Estado português - através da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças - controla os restantes 8%.

Faurecia já viu encolher a força de trabalho em 2012

Desde o início do ano, a empresa já tinha reduzido 42 postos de trabalho, através das rescisões de contrato por mútuo acordo. Dos 326 trabalhadores ao serviço da empresa no início de 2012, só 192 ficarão a trabalhar em 2013 caso o plano da empresa avance. Para evitar os despedimentos, os trabalhadores irão propor o lay-off pelo período de um ano, com formação profissional nesse período financiada pelo Estado.

“Os trabalhadores sabem qual o clima de instabilidade que a Faurecia vive desde 2005”, afirmou Daniel Bernardino na véspera do plenário ao Setúbal na Rede, referindo-se ao fim do contrato da empresa com a Seat de Barcelona e a redução de encomendas da PSA de Madrid e da Autoeuropa. “Mesmo se no primeiro trimestre de 2013, a Volkswagen delegue a responsabilidade do fabrico de um novo modelo em Palmela, não é certo que o volume de produção Faurecia aumente”, acrescentou o coordenador da CT.

Estes despedimentos contrariam as garantias subscritas no acordo de empresa para 2012 e 2013 que foi aprovado em plenário de trabalhadores, quando já se previa a queda de produção. Em troca desta garantia, os trabalhadores aceitaram a troca dos aumentos salariais de 2,64% por 16 dias não trabalháveis ("down days").

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