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Mais de metade da força de trabalho em Portugal é precária ou desempregada

A Associação de Combate à Precariedade assinalou o Dia Europeu de Ação Contra a Precariedade e a Injustiça Social com a divulgação de um estudo sobre a evolução da força de trabalho em Portugal nos últimos seis anos. "Desempregados e precários são a condição maioritária entre os trabalhadores em Portugal", diz a ACP-PI
Foto Paulete Matos

Em conferência de imprensa realizada junto ao centro comercial no Chiado lisboeta, a Associação pretendeu lembrar que "o colorido das lojas e das músicas nos centros comerciais é pintado a trabalho precário e com a chantagem permanente sobre quem trabalha". Mas também lembrar que a época natalícia é aquela "em que se contratam trabalhadores durante poucas semanas ou um mês, época em que se ignoram horários de trabalho, em que se fazem horas extraordinárias não pagas, em que não são respeitados os horários de refeição, de descanso e em que se chantageiam os trabalhadores sobre a renovação dos seus contratos a prazo em Janeiro conforme a chantagem que aceitem em Dezembro".

Na análise às Estatísticas do Emprego publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística do 1º trimestre de 2006 até ao 3º trimestre de 2012, a ACP-PI revela alguns dados acerca da força laboral portuguesa desde o início da intervenção da troika: "Perderam-se 90 mil empregos de trabalhadores contratados a prazo; O número de trabalhadores em situação de subemprego aumentou em 73 mil; O número de trabalhadores a part-time aumentou em 33 mil; e há mais 316 mil desempregados".

Contas feitas, concluem que "no 2º trimestre de 2012 o número de trabalhadores precários e desempregados ultrapassou pela primeira vez a metade de toda a força de trabalho em Portugal", em resultado do "declínio contínuo e coerente no número de trabalhadores com direitos", um caminho definido por todas as alterações à legislação laboral nos últimos anos. No fim do terceiro trimestre deste ano, havia quase três milhões de trabalhadores desempregados e precários em Portugal.

"Dentro do trabalho precário, nota-se a ascensão de formas extremas de precariedade, como o sub-emprego ou o part-time involuntário", assinala a ACP-PI, que destaca ainda "a forma simétrica das curvas que comparam trabalho permanente com trabalho precário", a provar que "a precariedade não evita o desemprego, mas promove-o".

A Associação de Combate à Precariedade - Precários Inflexíveis anuncou também a abertura de uma nova página na internet, depois de no dia da Greve Geral o site ter sido fechado pela Google, após a denúncia de uma empresa do Grupo BF que considerou difamatório um testemunho de um trabalhador que acusa a empresa de “trabalho ilegal e fuga ao fisco”. "Como sempre, não aceitamos estes ataques à liberdade de expressão e mantemo-nos firmes na defesa dos direitos dos trabalhadores, nomeadamente através da partilha das denúncias de pessoas que sentem a precariedade e as injustiças nas suas vidas", acrescentaram os precários no comunicado divulgado na nova página.

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