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Estivadores manifestam-se em defesa do emprego e contra a precariedade

Centenas de estivadores manifestam-se em Lisboa contra a nova lei do trabalho portuário, que será discutida hoje na AR, e afirmam que “seja qual for o resultado, continuaremos o nosso protesto”. Na manifestação participam estivadores de outros países europeus, porque “se o Governo português tiver sucesso vão fazer o mesmo na Espanha, Bélgica, Alemanha e acabaremos por deixar de ter direitos”.
Manifestação dos estivadores - Foto de Paulete Matos

"Nos anos 60 existiam nos portos as chamadas casas de conto. O pessoal aparecia e os patrões iam lá escolher quantos estivadores queriam para esse dia", disse Vítor Dias, presidente do Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul, à agência Lusa, referindo que a nova legislação, que vai ser hoje votada na generalidade no Parlamento, abre caminho ao retorno a uma situação semelhante, em que pessoas "sem qualificações específicas" façam trabalho que sempre pertenceu aos estivadores.

"Hoje passam três meses e meio desde que iniciámos a nossa luta. Toda a família portuária está firme em não parar este protesto, porque não podemos aceitar uma lei que precariza este setor e não serve os interesses do país", afirmou Vítor Dias, garantindo que "seja qual for o resultado [da votação da proposta de lei], continuaremos o nosso protesto".

Na manifestação participam estivadores de Bélgica, Chipre, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França e Suécia.

Jordi Aragunde, representante da delegação dos estivadores de 11 portos espanhóis, afirmou à agência Lusa que a luta dos estivadores portugueses é também dos seus camaradas europeus porque “o que se possa conseguir em países como Portugal e Grécia repercute-se nos portos de toda a Europa”, sublinhando que “por isso, não estão sozinhos e todo o sul da Europa os apoia”.

Declarou ainda que se o governo espanhol quiser aplicar um novo regime de trabalho portuário semelhante, “militaremos na mesma linha que os estivadores portugueses”. Um Governo que se diz democrático como o português não pode ter este tipo de jogadas sujas”, frisou considerando que o projeto do Governo português “se deve às pressões de uma Europa que cada vez é menos social, dedicada apenas a resgatar bancos”.

Ole Nors, estivador no porto de Aarhus na Dinamarca, disse à Lusa que o protesto dos estivadores portugueses é “muito importante porque o novo regime dos portos em Portugal pode acabar por destruir todos os acordos, todos os valores e todo o trabalho dos portos”.

“Qualquer um poderá trabalhar sem direitos, mal pago e sem se poder queixar. Se o Governo português tiver sucesso vão fazer o mesmo na Espanha, Bélgica, Alemanha e acabaremos por deixar de ter direitos”, salientou ainda o estivador dinamarquês.

A manifestação dos estivadores desfilou entre a Praça do Município e a Assembleia da República, onde estão concentrados.

Notícia em atualização

Imagens da manifestação internacional dos estivadores - Fotos de Paulete Matos

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