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O pote ainda vai a meio

Passos quer empobrecer o país mais depressa e sem olhar ao resultado da catástrofe social. Garante isenções fiscais de dezenas de milhões de euros aos grandes grupos económicos e abre-lhes novos mercados à custa dos serviços públicos.

Na entrevista à TVI, Passos Coelho mostrou-se fascinado com a "missão histórica" de que se sente investido: prolongar o assalto fiscal e o roubo dos salários e pensões, avançar para o ataque à escola pública e promover o maior despedimento de sempre de funcionários públicos.

Sempre à boleia do memorando da troika e indiferente aos repetidos fracassos nas contas do seu Governo, que pôs a economia a afundar e a dívida a crescer como nunca, o primeiro-ministro até deu como exemplo de esperança a correção do desequilíbrio das contas externas. Esqueceu-se de dizer que a Grécia também já alcançou semelhante proeza ao deixar de ter dinheiro para manter o volume das importações.

A "missão histórica" de Passos não implica apenas a revisão constitucional clandestina de que falava Teresa Pizarro Beleza, nivelando por baixo os direitos das pessoas. É uma estratégia de empobrecimento acentuado e permanente durante a próxima década para a maioria da população, combinada com a garantia de oportunidades para os grupos económicos.

Oportunidades como as que denuncia o relatório da Inspeção Geral de Finanças (IGF) sobre as isenções fiscais às sociedades gestoras de participações sociais (SGPS). O Governo escondeu-o durante um ano dos jornalistas e só esta semana foi tornado público, por intervenção do Bloco de Esquerda na Assembleia da República. Lido agora, percebe-se porquê: a IGF recomendava ao Governo um método de verificação fiscal, mas o Governo optou pelo outro método, mesmo sabendo que seria prejudicial ao Estado em "largas dezenas de milhões de euros" de receitas fiscais. 

Passaram quase dois anos desde que Passos Coelho, então na oposição, disse que o PSD não estava "cheio de vontade de ir ao pote". Com a entrevista desta quarta-feira e o anúncio da nova ofensiva sobre os serviços públicos, fica bem claro que este assalto organizado ao pote será para continuar, com o seu rol de privatizações, concessões, isenções e outras manobras que garantam comissões.

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