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Contra a violência da austeridade, pensar o futuro das lutas

A concentração de dia 27 de novembro é mais um passo na intensificação dos protestos que devem continuar a assumir um caráter cada vez mais alargado e popular.

A Greve Geral de 14 novembro foi muito expressiva e teve uma vertente política muito acentuada e uma marca forte de cidadania.

A Greve Geral ajudou a alargar o esforço de muitos portugueses, que perderam um dia de trabalho, para alterar os caminhos para o futuro.

A CGTP tem beneficiado do apoio real de vários cidadãos e movimentos sociais que não tendo uma ligação direta ao mundo sindical consideram importante participar nos piquetes de greve, permitindo aumentar a dimensão do piquete e a criatividade dos protestos.

Também nas manifestações, tem sido notória a participação destas pessoas e movimentos que têm contribuído para o sucesso das iniciativas e conferem um carácter mais alargado quer no campo social quer no campo cultural, aos protestos. Com as suas faixas, as suas palavras de ordem, a sua música e a sua juventude têm contribuído para ajudar a mudar a imagem da organização.

A escalada de violência no dia 14 de novembro foi o instrumento de que o governo se serviu para diminuir o impacto da greve e incutir medo nas pessoas.

Alguns parecem não querer perceber o momento da luta em que nos encontramos e com as suas ações isoladas prejudicam-na.

Esta constatação não deve diminuir a condenação da ação policial ao serviço dos patrões contra os piquetes na madrugada do dia 14, nem a condenação da carga sobre as pessoas que estavam nas imediações da Assembleia da República, bem como as detenções irregulares que ocorreram nessa noite.

A CGTP dirige a luta dos trabalhadores e simultaneamente deve ter a capacidade de interagir com as organizações feministas, de estudantes, de precários e outras, que se organizam e solidarizam, no terreno, com a luta geral dos trabalhadores e trabalhadoras.

No dia 22 os estudantes do ensino superior estiveram na rua, a lutar contra a austeridade na educação. São mais vozes que se juntam no combate ao governo e merecem todo o apoio.

No dia 29, a Manifestação Internacional dos Estivadores em Lisboa deve ter também a nossa atenção e solidariedade com os objetivos da sua luta.

A dimensão internacional das lutas do trabalho alcançada com a Greve Ibérica, na Itália, na Grécia e as manifestações por esta Europa em 14N, devem ser tidas em conta em ações futuras. Precisamos de ter um plano de lutas nacional e ao mesmo tempo, manter a sua articulação à escala europeia.

O carácter internacional da luta dos trabalhadores acrescenta peso ao protesto e às nossas propostas alternativas de taxar o capital e dessa forma, dinamizar a economia, criar emprego e aumentar os salários e pensões.

A concentração de dia 27 de novembro é mais um passo na intensificação dos protestos que devem continuar a assumir um caráter cada vez mais alargado e popular.

As linhas mestre do orçamento de estado para 2013 levam a mais desemprego, mais recessão na economia e a mais miséria para os que vivem do trabalho.

Todos já percebemos que o governo se prepara para um corte adicional de 4.000 milhões de euros na saúde, na educação e na segurança social. Chamam-lhe “refundação do estado”, mas este é um processo que a ser concretizado levaria, à destruição do Estado Social.

Dar resposta a esta austeridade violenta que segundo o FMI precisa de “racionalizar” mais os salários e o emprego na Função Pública, “reformar” pensões e outras prestações sociais, baixar ainda mais o valor das indemnizações por despedimento. É recusar na prática este orçamento. É expulsar a Troika e derrubar este governo.

Porque não aceitamos que nos roubem a vida e o futuro, vamos em dezembro dar um sinal de unidade e força e levar a cabo ações de luta que tenham expressão de rua, com manifestações no Porto, no dia 8, e em Lisboa, dia 15 para Belém.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente sindical, membro do Conselho Nacional da CGTP
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