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Eleições em Israel, ataque a Gaza

O Governo de Israel decidiu novamente virar o seu internacionalmente patrocinado poderio militar para a Faixa de Gaza com duas mensagens. Uma para a comunidade internacional e a segunda para os eleitores em Israel: confiem em nós porque não temos medo de fazer chover bombas em Gaza.

Tal como há 4 anos, com a operação “Chumbo Fundido”, o Governo de Israel, com eleições a dois meses, decidiu novamente virar o seu internacionalmente patrocinado poderio militar para a Faixa de Gaza com duas mensagens, diria eu. Uma, para a comunidade internacional, especialmente para os países como Egito, Tunísia e Turquia: nem pensem em se meter ao barulho; e segunda, para os eleitores em Israel: a questão não desapareceu, confiem em nós porque não temos medo de fazer chover bombas em Gaza. Não é acaso que Avigdor Lieberman diga que “o derrube do Hamas, no poder em Gaza, é uma decisão que deverá ser do próximo governo”.

No início da semana, uma oficial das chamadas Forças de Defesa de Israel (na verdade mais de Ataque do que de Defesa, convenhamos) foi bastante clara em espelhar a naturalidade com que o Governo de Israel encara ordenar homicídios em massa: “Israel não tem de dar justificações para atacar o Hamas”. E com esta frase, os danos colaterais, ou seja, os civis incluindo crianças mortas pelos ataques da Força Aérea e Marinha de Israel, são culpa do Hamas.

Os sucessivos governos de Israel, e com mestria Netanyahu, utilizam o Hamas como justificação para todas as suas ações. Não faço qualquer apologia do Hamas, nem farei, porque acho neste momento seria sucumbir ao jogo de comunicação política de guerra de Israel. Aparentemente, a questão são os rockets. Os primeiros foram lançados em 2001, umas décadas depois dos primeiros massacres a palestinianos por parte do Estado de Israel. Convém lembrar, porque Israel não é vítima neste cenário.

O argumento de Israel, o fim do lançamento de rockets, é uma farsa, e não há outra maneira de a classificar. Uma de duas, ou Israel compromete-se a erradicar a Faixa de Gaza do mapa, ou está a utilizar esse argumento como desculpa. Mesmo nas piores alturas para essas organizações, em Gaza, esses ataques não pararam.

A questão é que na guerra mediática, existe ainda mais discrepância na relação de forças. E nisso, a Palestina nem entra no cenário. E por isso, e só por isso, é possível pensar que Israel é a vítima neste conflito. A chefe da diplomacia europeia, recente Nobel da Paz, salvo a ironia, atribui esta situação ao Hamas e outros grupos. Barack Obama, anterior Nobel de Paz, recebeu um “obrigado” do Primeiro-Ministro de Israel pelo seu apoio.

Para tanto apoio e palmada nas costas, podemos relembrar que a limpeza étnica e êxodo de palestinianos não é esquecido; que os colonatos são condenados pela lei internacional e que nada perentório é feito em relação a isso; que Gaza é vítima de ocupação por parte de Israel e perdeu a maior parte do seu território em 40 anos por anexação do Estado de Israel; que desde 1989 é vítima de um bloqueio e, finalmente, que não há qualquer comparação entre a violência imposta por Israel à Palestina. E nada do que figuras estatais ou militares de Israel digam, pode alterar isso.

Israel e Palestina não são uma história de Tom and Jerry. São uma lenta história de extermínio, com o alto patrocínio dos recentes recetores de Nobel da Paz.

Sobre o/a autor(a)

Membro da Comissão Permanente do Bloco de Esquerda. Doutorando em Ciência de Computadores
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