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Alteração no padrão de ventos explicaria expansão da camada de gelo marinho da Antártida

Num mundo sob o efeito do aquecimento global, seria esperado que as calotas polares derretessem, agravando o problema do aumento dos níveis dos oceanos. Apesar de isso ser verdade no Ártico, que regista uma taxa crescente e alarmante de degelo, o mesmo não é observado na Antártida, que apresenta nas últimas décadas uma expansão da sua camada de gelo marinho. Por Fabiano Ávila do Instituto CarbonoBrasil.
“A Antártida é um continente cercado por água, enquanto o Ártico é um oceano cercado por terra. Por essa razão, o gelo marinho no norte não se comporta da mesma forma que vemos no sul” - Foto de sandwichgirl/flickr

Esta expansão tem sido utilizada por céticos climáticos como uma prova de que o aquecimento global não existe e até justificaria, para alguns, a teoria de que o mundo estaria a esfriar e não a aquecer.

Agora, uma investigação publicada no periódico Nature Geoscienceafirma ter resolvido a questão e aponta que o aumento na camada de gelo na Antártida é justamente resultado das mudanças climáticas.

Conduzido por cientistas do British Antarctic Survey (BAS) e da NASA, o estudo analisou mais de cinco milhões de imagens de satélites meteorológicos, abrangendo um período de 19 anos, e concluiu que foram alterações nos padrões de ventos que resultaram no aumento do gelo na Antártida.

"No total, a cobertura de gelo marinho na região está a aumentar devagar. Porém, algumas áreas registam perdas e outras ganhos numa velocidade mais acelerada. O que conseguimos observar é que estas mudanças foram resultado da ação de ventos, que passaram a movimentar o gelo de um local para o outro e afetaram também a temperatura do ar”, afirmou Paul Holland, principal autor do estudo.

“Até agora só podíamos especular sobre o gelo da região, principalmente utilizando modelos computacionais. Mas a nossa investigação teve acesso a imagens de satélite que nos permitiram analisar a real complexidade das mudanças climáticas”, completa.

O investigador salienta que o ganho de gelo na Antártida de forma nenhuma compensa a perda no Ártico.

“O degelo no Ártico é cinco vezes mais rápido do que o ganho de gelo na Antártica, então, na média, a Terra está a perder gelo marinho muito velozmente. Não existe inconsistência entre os nossos resultados e o aquecimento global”, disse.

Segundo os investigadores, as próprias características naturais dos dois Polos fazem com que cada um reaja de uma maneira diferente ao aumento das temperaturas.

“A Antártida é um continente cercado por água, enquanto o Ártico é um oceano cercado por terra. Por essa razão, o gelo marinho no norte não se comporta da mesma forma que vemos no sul”, concluiu Holland.

Artigo de Fabiano Ávila do Instituto CarbonoBrasil.

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