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“Primeira prioridade do Bloco de Esquerda é demitir este governo”

No encerramento da VIII Convenção do Bloco, este domingo, Catarina Martins defendeu como “primeira prioridade” a demissão do Governo e que a troika “é o inimigo a vencer”. Marcando o tempo da renovação, João Semedo evocou os quatro fundadores do Bloco, afirmando que “é preciso continuar sempre”. (Ver vídeos)

Catarina Martins: “Primeira prioridade do Bloco de Esquerda: demitir este governo”

Na sua intervenção de encerramento da VIII Convenção, a nova co-coordenadora da Comissão Política do Bloco, Catarina Martins, evocou um filme do realizador grego Theo Angelopoulos, para afirmar que “quebrar fronteiras” é o caminho do Bloco. “Fizemo-lo na sexta-feira, num comício internacional com a esquerda que resiste aos ventos liberais e populistas e fizemo-lo nesta Convenção, vamos continuar a fazê-lo, sempre”.

Catarina Martins lembrou o “tempo difícil” que vivíamos há um ano, “quando já se sabia que que a austeridade era o caminho da destruição, quando Passos Coelho ia dizendo que não era ainda tempo de ir ao pote, quando os banqueiros foram à televisão exigir o resgate”. “E bem sabemos que os únicos ajudados foram os donos dos bancos”, lembrou ainda. O resultado, apontou, são “mais 200 mil pessoas sem emprego, jovens, sem lugar no seu país”. Mais ainda, “a economia parada, uma dívida que não para de crescer.

O Bloco defendeu desde o início que a renegociação da dívida é inevitável, “uma ideia que cresceu pelas evidências da vida”, disse. Catarina Martins reconheceu que o Bloco não soube “ler tudo o que se esperava” do partido: “não fomos reunir com a troika e falar-lhe do nosso país e os eleitores criticaram-nos por isso”. Mas “julgo que hoje está, no entanto, bem claro que essa gente não negoceia nem discute, manda e ordena”, sublinhou.

“Essa troika é o nosso inimigo. É esse inimigo que queremos vencer”, afirmou, indicando que o Bloco tem uma certeza: “a certeza de que nada renasce do empobrecimento do país”. E por isso a prioridade está bem definida: “demitir este governo para abrir o caminho a um governo de esquerda contra a troika”. Catarina Martins considera que este é um governo “sem honra”, pois não cumpre os compromissos em nome dos quais impõe sacrifícios, “falhou na dívida e no défice”.

O novo Orçamento do Estado é “um assalto brutal”, disse catarina Martins, avisando que “quem semeia austeridade só pode recolher recessão, quem semeia recessão só pode recolher desastre social”. Referindo o aumento em 40% do IRS para os “privilegiados” que ganham 800 euros por mês, a dirigente bloquista foi dura na crítica e nas palavras: ”o Governo diz que é ética na austeridade, nós dizemos que é falta de vergonha”.

“Governo quer re-afundar o Estado Social”

Catarina Martins acusou o Governo de querer “re-afundar o Estado, os serviços públicos e a vida das pessoas”, afirmando que “para a direita, o destino de quem nasce pobre é viver pobre”.

“Esta direita já não se limita a desconfiar dos serviços públicos. Faz campanha contras eles todos os dias da semana”, disse ainda, sublinhando que “esta direita só aprecia o Estado quando este paga rendas aos amigos”. Mas “é na escola pública e na saúde pública que está a proteção da vida das pessoas”, defendeu.

Catarina Martins deixou um recado a Pedro Passos Coelho e Paulo Portas: “Não se enganem, para o Bloco, a luta pela dignidade devida a quem trabalhou e trabalha por este país não é uma bandeirinha na lapela. É o nosso compromisso mais forte”.
Um fórum para discutir a escola e saúde públicas, e também a Segurança Social, é a proposta do Bloco, apostando na mobilização de todas as pessoas, na reconfiguração do espaço político, na recuperação da democracia, na construção da alternativa.

“Ou vencemos a troika ou ela derrota o país”

“E agora, que a recessão induzida pela austeridade custe o que custar colapsou, querem repetir o mesmo veneno em 2013, mas numa dose mais forte”, acusou Catarina Martins, defendendo o “compromisso renovado” com a formação de um governo de esquerda que rompa com a troika.

“Não há nenhuma honra em manter o memorando porque um acordo que condena o país ao empobrecimento não tem honra nenhuma. Ou vencemos a troika ou ela derrota o país”, vaticinou.

“Não nos perguntem por isso quem estará nesse governo”, disse a dirigente bloquista, respondendo: “nós estaremos”.

João Semedo: “No Bloco o pensamento é livre, as ideias circulam”

Na sua intervenção, o co-coordenador João Semedo, em jeito de balanço dos dois dias de convenção, partilhou com os delegados e delegadas do Bloco uma das muitas perguntas que lhe fizeram os meios de comunicação social: “Queriam saber o que vamos fazer à linha que separa as duas moções que se apresentaram.” A resposta que o deputado bloquista revelou ter dado foi “uma resposta à Bloco”: “No Bloco o pensamento é livre, as ideias circulam, não há linhas nem fronteiras que entravem o pensamento de cada um. Pensar pela cabeça de cada um é um privilégio, porque é o direito de todos nós. Gostamos de debater, mas vamos à luta todos juntos”.

Ao fim de 500 dias, governo quer contar carros

Passando a abordar a política nacional, João Semedo ironizou a notícia de que ao fim de 500 dias no poder, o governo agora quer saber quantos carros tem. “Na verdade não quer saber dos carros para nada”, explicou. “Só quer uma notícia, pretensamente simpática, que permita desviar as atenções do seu verdadeiro propósito: cortar 3500 milhões de euros na saúde, educação e reformas. Mais 3500 milhões, entendamo-nos, depois de já ter cortado 1 em cada 4 euros na educação e aumentado todos os impostos até à estratosfera”. 

Nestes 500 dias, disse Semedo, o governo deixou de lado as mentiras iniciais para levar o país à destruição, ao abismo, “por um ajuste de contas da direita com o mundo do trabalho e o estado social”, com o argumento e o “insulto de que neste país de salários mínimos todos vivemos acima das nossas possibilidades”. 

A resposta do Bloco a este insulto é clara: “Acima das nossas possibilidades são os juros que pagamos e que destroem o país”, afirmou Semedo, acrescentando uma longa lista, das privatizações ao financiamento público, da destruição dos serviços públicos.

Querem agora vender-nos a ideia de que temos que ser devedores honrados, afirmou o novo co-coordenador do Bloco. “Mas onde é que está a honra de colocar pessoas que vivem com 500 euros por mês a pagar a crise?”, questionou, acrescentando: “Honra é cortar o apoio aos acamados, é cortar nos apoios às crianças que têm que ir para a escola, é cortar nas reformas de quem pouco ou nada tem? Isso não é honra, é cobardia”.

João Semedo defendeu, por isso, a urgência de parar este programa suicidário. “Temos de defender o país deste Governo”, afirmou, defendendo o derrube do gabinete de Passos Coelho e a construção de uma alternativa de esquerda. 

Continuar sempre

Para finalizar, Semedo referiu-se aos 13 anos do Bloco, lembrando tanta coisa que mudou no país neste período, em particular as coisas que mudaram porque o Bloco existiu, como a participação das mulheres na política devido à lei da paridade, o casamento de homossexuais, a criminalização do enriquecimento ilícito, o tratamento dos toxicodependentes como doentes e não como criminosos, a legalização da interrupção voluntária da gravidez.

“Não fizemos tudo sozinhos, mas estávamos lá e fomos à luta e ganhámos, como continuaremos a ganhar!”, declarou.

A terminar, João Semedo prestou uma homenagem a todos os bloquistas, mas em especial aos quatro primeiros fundadores e dirigentes, Miguel Portas, Fernando Rosas, Luís Fazenda e Francisco Louçã, sublinhando que não é uma despedida, porque, à exceção do Miguel, que já não está entre nós, todos os outros “estão aqui e é neste Bloco que passa a luta deles”. E rematou com o lema: “Continuar sempre! Continuar sempre!”

política: 
VIII Convenção
(...)

Resto dossier

VIII Convenção do Bloco

Neste dossier, republicamos as notícias e vídeos do esquerda.net sobre a VIII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, incluindo as referentes ao comício internacional que juntou em Lisboa partidos da esquerda europeia unidos contra a austeridade.

"Ou vencemos a troika ou ela derrota o país"

Intervenção de Catarina Martins no encerramento da VIII Convenção do Bloco.

"Temos a urgência de defender o país deste Governo"

Intervenção de João Semedo no encerramento da VIII Convenção do Bloco.

“Primeira prioridade do Bloco de Esquerda é demitir este governo”

No encerramento da VIII Convenção do Bloco, este domingo, Catarina Martins defendeu como “primeira prioridade” a demissão do Governo e que a troika “é o inimigo a vencer”. Marcando o tempo da renovação, João Semedo evocou os quatro fundadores do Bloco, afirmando que “é preciso continuar sempre”. (Ver vídeos)

Mesa Nacional e Comissão de Direitos eleitas na VIII Convenção

A VIII Convenção Nacional do Bloco aprovou a moção A com 348 votos (80,3% dos votantes), tendo a moção B obtido 74 votos, existindo ainda 11 abstenções. Nas eleições para a mesa nacional a lista da moção A elegeu 61 membros e a lista B 19. Para a comissão de direitos a A obteve 5 mandatos e a B 2. João Semedo e Catarina Martins são os dois novos coordenadores da comissão política do Bloco de Esquerda.

“Um Governo de Esquerda, uma solução para levantar Portugal”

“Lutamos intransigentemente para demitir Passos Coelho e Paulo Portas, o povo não aguenta mais”, afirmou Francisco Louçã no discurso de abertura da VIII Convenção do Bloco de Esquerda, defendendo que o Bloco é “um partido de protesto e de solução” e que um Governo de Esquerda é a resposta à maior crise desde o 25 de Abril. Louçã disse ainda que “hoje não há despedidas”, referindo o fim do seu mandato – “Aqui estou, aqui estamos, vamos fazer o nosso tempo”.

“Um Governo de Esquerda, uma solução para levantar Portugal” (vídeo)

“Lutamos intransigentemente para demitir Passos Coelho e Paulo Portas, o povo não aguenta mais”, afirmou Francisco Louçã no discurso de abertura da VIII Convenção do Bloco de Esquerda.

Rostos da Convenção

A Convenção do Bloco de Esquerda é feita por homens e mulheres, jovens e menos jovens, vindos de Norte a Sul do país e dos arquipélagos, com experiências políticas e opiniões variadas. O Esquerda.net andou pela convenção a fazer perguntas e a tirar fotografias. (Atualizado em 12/11 às 14h)

Apresentação das moções em debate na VIII Convenção do Bloco

No início da tarde deste sábado, teve lugar a apresentação das moções políticas que se encontram em fase discussão na VIII Convenção do Bloco de Esquerda. Pela Moção A, Pedro Filipe Soares, afirmou que “esta é a hora, a hora do Governo de Esquerda”. “O nosso adversário é a troika e a direita, a linha de demarcação é o memorando”, afirmou João Madeira, pela Moção B.

"Vamos receber Angela Merkel como ela merece!"

A eurodeputada Marisa Matias interveio no comício internacional "Vencer a troika", garantindo que os contribuintes alemães são quem mais tem a perder com os empréstimos da troika a troco de austeridade para o Sul da Europa.

João Semedo e João Madeira encabeçam listas à Mesa Nacional do Bloco

O médico João Semedo e a atriz Catarina Martins são os primeiros nomes da lista A. O historiador João Madeira e a funcionária pública Helena Figueiredo são os primeiros nomes da lista B. Conheça os seus perfis.

Há uma Esquerda na Europa!

No comício internacionalista que antecedeu a VIII convenção do Bloco de Esquerda, representantes de partidos da Alemanha, França, Grécia, Espanha e Portugal reuniram-se para mostrar que a solidariedade não é uma palavra vã e que a esquerda europeia é a da luta e da alternativa.

"Há uma esquerda europeia pronta para a luta!" (vídeo)

Francisco Louçã encerrou o comício internacional "Vencer a troika" com críticas a Angela Merkel, que a "cada dia que passa é mais violenta e mais arrogante", e prometendo-lhe uma resposta pela Europa nas ruas de Lisboa no dia 12.

"Na Grécia como em Portugal, os povos vencerão!"

Mensagem de Alexis Tsipras, líder do Syriza grego, ao Comício Internacional "Vencer a Troika", organizado pelo Bloco e o GUE/NGL em Lisboa.

VIII Convenção do Bloco de Esquerda

Começa neste sábado às 11 horas a VIII Convenção do Bloco de Esquerda, no Complexo Desportivo Municipal do Casal Vistoso - Areeiro, em Lisboa, sob o lema “Vencer a troika”. A convenção decorrerá durante sábado e domingo, realizando-se a sessão de encerramento às 12.30 horas de domingo. Esquerda.net transmitirá em direto a abertura (11.15h) e a apresentação das moções (15h) no sábado e o encerramento no domingo (a partir das 11.30h).

Debate entre moções à Convenção do Bloco

A VIII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda realiza-se a 10 e 11 de novembro em Lisboa. O esquerda.net produziu o debate entre João Semedo (moção A) e Daniel Oliveira (moção B).