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Inglaterra exige "Um futuro que funcione"

Cerca de 250 mil manifestantes marcharam no sábado pelas ruas de Londres em protesto contra as políticas de austeridade que estão a destruir os serviços públicos e em defesa da taxação das grandes corporações que têm lucrado com a crise. Artigo de Hugo Evangelista, em Londres.
Foto Inês Milagre

Este protesto, com participações muito diversificadas mas com ênfase na defesa do sistema nacional de saúde e educação e nas políticas de criação de emprego, foi convocado pelo TUC (Trades Union Congress), a intersindical inglesa que representa mais de 6 milhões de associados e mais de 50 sindicatos. Segundo os organizadores, este foi um teste à capacidade de mobilização após os grandes protestos do ano passado, teste este superado com nota positiva.

John Rees, da Coalition of Resistence, falou ao Esquerda.net da sua convicção de que este protesto permitiu ao movimento social e sindical restabelecer a sua confiança em futuras acções por uma alternativa às políticas recessivas do governo de coligação conservador/liberal-democrata. "Nós dizemos que não é preciso cortar nos gastos públicos. O dinheiro está lá nos gastos em armas nucleares, está lá nos gastos com a guerra do Afeganistão, está lá se taxarmos as grandes corporações e não tem de vir do bolso de quem trabalha".

Uma das propostas consensuais que foi defendida repetidas vezes durante os discursos finais e por várias organizações durante o protesto foi a da realização de uma greve geral, não tendo sido deixada de lado a possibilidade do Reino Unido de unir à greve geral europeia que está a ser convocada em Portugal, Grécia, Espanha, Malta e Chipre para dia 14 de Novembro.

Fez parte desta manifestação o "Climate Block", uma junção de cerca 600 pessoas ligadas ao movimento ambientalista, que pela primeira vez esteve presente desta forma numa manifestação convocada por uma intersindical. Miguel Franco, português a trabalhar em Londres, participou e ajudou a organizar o "Climate Block" e contou-nos um pouco da sua origem. "O Climate Block é uma ideia que surge da campanha SHIFT (que defende um modelo económico cooperativo e um modelo energético sustentável) e que tem feito a ligação entre os cortes que o Governo está a fazer com a imposição de um modelo energético e ambiental errado."

O Climate Block juntou pessoas que normalmente não iriam a uma manifestação sindical, o que leva Miguel Franco a avaliar a participação do Climate Block como "muito positiva" e espera que se tenha naturalizado a ideia da necessidade de existir um Climate Block em próximas mobilizações. Com o lema "For a World that does not cost the Earth" ("Por um Mundo que não custe a Terra"), o Climate Block trouxe como uma das suas principais bandeiras a campanha "1 Million Climate Jobs", que já está a decorrer e tem sentado à mesma mesa o movimento ambientalista e sindicatos pela criação de postos de trabalho que reduzam a emissão de gases com efeito de estufa para a atmosfera e respondam à ameaça das alterações climáticas.

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