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Milhares voltam a cercar o Parlamento em Madrid

Pela terceira vez numa semana, milhares de pessoas voltaram a pedir a demissão do Governo na Praça Neptuno. Depois das imagens de violentas cargas policiais terem dado a volta ao mundo, desta vez o PP deu ordens à polícia para retirar os carros de exteriores e os andaimes usados pelas estações de televisão.
Foto Fotomovimiento/Flickr

Um forte dispositivo policial está presente no local, mas ao contrário da manifestação de dia 25, a tarde passou-se sem incidentes. Segundo o site Publico.es, uma das palavras de ordem entoadas pelos manifestantes é "No me pegues, soy compañero!", numa referência ao vídeo dessa manifestação em que um polícia infiltrado dizia isso mesmo ao ser preso por um colega do corpo de intervenção. As imagens dessa manifestação mostraram os provocadores de atos violentos a aparecerem minutos depois do lado da polícia, o que fez aumentar as suspeitas de provocação policial para gerar confrontos e criminalizar ainda este movimento de repúdio contra a austeridade.

A decisão da Câmara de Madrid, controlada pelo Partido Popular de Mariano Rajoy, de não permitir aos meios de comunicação fazerem o seu trabalho de cobertura do protesto, foi justificada por se tratar de uma manifestação "absolutamente ilegal", nas palavras da delegada do Governo em Madrid, Cristina Cifuentes.

Os protestos em Espanha sobem de tom numa altura em que o Orçamento apresentado por Rajoy corta a fundo nas despesas sociais para canalizar o dinheiro dos contribuintes para as ajudas ao sistema financeiro. Por exemplo, o Governo corta 14% na Educação, e a Saúde é o setor mais penalizado, com um corte de 22%. Os desempregados, que no em 2013 serão ainda mais do que hoje, irão receber menos 1800 milhões de euros, ou seja, menos 6,3%.

A dívida espanhola irá disparar para 90,5% do PIB, o que representa um recorde nos últimos cem anos. Os juros da dívida e as ajudas aos bancos estão em alta, com o Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária a passar de cerca de 11 mil milhões para 60 mil milhões. Também por causa das ajudas à banca, o défice de 2011 subiu para 9,44% do PIB e o objetivo de 6,3% para este ano está definitivamente comprometido, com a meta a ser agora definida em 7,4%.

Apesar das perspetivas serem muito negativas, o ministro das Finanças anunciou que este Orçamento "coloca a Espanha à porta do fim da recessão". Uma expetativa que não é de todo partilhada pelas pessoas que têm saído às ruas nos últimos dias, denunciando o roubo do rendimento dos trabalhadores com destino aos cofres dos bancos.

Vista aérea 29-S "Dimisión, dimisión"

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