Terreiro do Paço cheio contra governo da troika

29 de September 2012 - 16:14

A manifestação é a "maior dos últimos anos realizada pela CGTP", diz Arménio Carlos, que exigiu no seu discurso a saída de Passos Coelho por incumprimento das promessas eleitorais. Greve Geral será convocada pela central sindical no dia 3 de outubro. Muitos milhares de pessoas encheram o Terreiro do Paço em protesto contra as políticas de austeridade do Governo.

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Muitos milhares de trabalhadores vieram de todo o país e marcharam pelas ruas da baixa lisboeta até ao Terreiro do Paço. "O povo perdeu o medo e está a demonstrar que quer outra política e um Portugal diferente", afirmou Arménio Carlos no início do seu discurso. Mas o anúncio da convocatória da Greve Geral ficou guardado para o fim do discurso, com Arménio Carlos a prometer uma data após a reunião do Conselho Nacional da CGTP no dia 3 de outubro.

Confrontando Passos Coelho com a promessa eleitoral de não exigir sacrifícios aos que mais precisam e ao invés de forçar os que mais têm a contribuir, Arménio deixou a questão: "De que está à espera o primeiro-ministro para se ir embora?". E em seguida, exigiu "Vá e o mais depressa possível".

Arménio Carlos saudou as lutas e greves do Metro de Lisboa, da Transtejo, Soflusa, CP, Refer, Carris, STCP, professores, médicos, entre outras, destacando em particular as da Cerâmica Valadares e a Finnex, que lutam desde há meses pelo direito ao trabalho. "Este é o caminho que temos de proseguir para combater o cardápio da troika: um banquete para os ricos e poderosos à custa do rapar do tacho do povo, com Cavaco a chefe e Passos e Portas como cozinheiros exímios deste festim", prosseguiu.

"Hoje têm de ouvir a voz do povo. Porque se não a ouvirem a bem terão de a ouvir a mal, com a exigência da demissão deste Governo e de mudança de políticas", acrescentou Arménio Carlos, para quem o problema atual não é o da crise política mas o da crise económica "que nos empurra para o precipício". O líder sindical diz que foi a luta do povo que fez o Governo recuar na TSU, mas que se prepara já "pela via das alterações dos escalões do IRS" para "roubar salários e pensões a todos os trabalhadores, reformados e pensionistas".

Arménio Carlos deixou ainda críticas aos comentadores, e em particular a Marcelo Rebelo de Sousa, que tem defendido que o problema das medidas do Governo é que têm sido mal explicadas. "Mas eles pensam que os trabalhadores são burros?" perguntou. "Eles sabem bem o que estão a fazer. Há um plano arquitetado de colonização do nosso país", que passa por "pôr o Estado ao serviço do capital", acusou o líder sindical, dando o exemplo do desmantelar dos serviços públicos na educação, na saúde e na proteção social.



O deputado do Bloco Francisco Louçã, também presente na manifestação, sublinhou à TVI a grande dimensão deste protesto, após a manifestação de 15 de setembro ter trazido à rua um milhão contra a troika e o governo de Passos Coelho e Paulo Portas.



"Os sindicatos fizeram propostas sensatas sobre a tributação do capital e a justiça económica. Essa é a palavra do Tribunal Constitucional. O TC disse que assim é que se podia fazer a diferença e conseguir tributar aqueles que não pagam nada para recuperar a economia portuguesa", afirmou Louçã à TVI, criticando também a intervenção do consultor do Governo António Borges este sábado perante uma plateia de empresários.



"António Borges veio hoje dizer com aquela arrogância extraordinária que ele tem que os portugueses são estúpidos por não perceberem como era belo tirar um mês de salário aos trabalhadores para entregar aos patrões. Mas os portugueses perceberam-no a ele muito bem, e a Passos Coelho e Paulo Portas. Porque aumentar o défice e o desemprego e a crise através destas medidas exige que nos juntemos todos: este povo na rua, toda a esquerda, todos os sindicatos, um povo enorme que está na rua. E eles sabem que essa força é a democracia".